Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)

Enviada em 17/05/2020

Os filósofos do Período Clássico da Grécia Antiga Platão e Aristóteles convergiam quanto ao  arquétipo de sociedade perfeita e menos desigual. Nela, cada indivíduo exercia suas funções de acordo com sua posição social, embora todos gozassem dos benefícios proporcionados por ela. No entanto, no Brasil contemporâneo, por sua vez, o seu modelo de sociedade favorece um único grupo e isso tem produzido uma segregação entre as classes as quais no país convivem. E as principais causas dessa clivagem residem na pouca repercussão da questão e na falta de investimento por parte da administração pública em espaços de uso coletivo–praças e escolas  públicas–por exemplo.

De início, a atual configuração da sociedade brasileira deve-se, em grande parte, ao acelerado processo de urbanização das Metrópoles e regiões metropolitanas, a partir da segunda metade do século XX, fato que propiciou a profunda discrepância entre as classes sociais e o seu consequente processo de segregação. Assim, entende-se o porquê dos estádios, shows, bairros, aeroportos e, sobretudo, shoppings possuírem regiões exclusivas, justamente destinadas a determinadas pessoas com mais recursos. Diante desse quadro, sob a perspectiva social, esses fatos têm consequências desastrosas, visto que as crianças que vivem submetidas nesse contexto podem tornar-se adultos intolerantes, que negam a interação e integração entre grupos distintos.

Outro problema, ainda, é concernente ao pouco investimento em espaços de uso coletivo, como, por exemplo, escolas, transporte coletivo e praças públicas. Somado a isso,o Governo Federal aprovou a Pec do Teto dos Gastos(PEC 95), que os congela durante 20 anos. Tais fatos recrudescem a separação entre as pessoas, porque as que detêm mais recursos buscam necessariamente os melhores lugares e serviços, ao passo que os que possuem pouco poder aquisitivo não tem outra opção, senão a de contentar-se com essa realidade, aliado a  baixa repercussão dessa problemática–o que tende a manter o status quo.

A partir das problemáticas supracitadas, depreende-se que a fim de combater as discrepâncias e a consequente segregação entre as classes sociais no país compete às Assembleias Legislativas e as prefeituras dos municípios destinarem recursos com o escopo de financiar projetos de mobilidade urbana, construção de clubes e escolas públicas de qualidade para propiciar a participação de pessoas de classe distintas nos mesmos espaços, favorecendo, portanto, a coesão social. Somado a isso, a promoção da união social deve, também, ser realizada pelos veículos de comunicação, financiados por intermédio desses recursos, de modo que deem relevância aos problemas provocados pela segregação social. Dessa maneira, os indivíduos gozarão dos benefícios da sociedade a qual estão inseridos.