Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)

Enviada em 16/05/2020

Na obra “O Cortiço” de Aluísio de Azevedo, é possível entender melhor sobre o processo de urbanização no final do século XIX, o livro também procura realçar as inúmeras diferenças entre o cortiço de João Romão e o sobrado de Miranda, mesmo sendo vizinhos. Analogamente, essa situação perpetua-se no Brasil à medida que há a modernização de algumas regiões do país em relação a precarização de outras, a partir das classes sociais, mesmo sendo uma única nação, o que cria um distanciamento não só físico, mas também mental. Portanto, faz-se mister analisar a essa situação segregacionista e procurar remediar as suas consequências.

Em primeiro lugar, está cada vez mais enraizado no subconsciente do brasileiro a visão de que algo por ser particular é superior a outro público. Segundo as concepções da Escola de Frankfurt, a sociedade vive em uma situação na qual as mídias procuram massificar o pensamento da população em virtude daqueles que as controlam, homogenizando-o e modificando-o; assim sendo, torna-se comum preferir ir a um shopping a uma praça pública, por conta de uma sensação —propiciada pelo dinheiro— de maior segurança e lazer, direitos que deveriam ser proporcionados pelo Estado. Consequentemente, é atribuído a esfera privada cada vez mais poder, atrelando a situação financeira da pessoa a sua qualidade de vida e o espaço onde frequenta.

Ademais, essa separação contribui negativamente para a produção de conhecimento e de uma melhor sociedade. Conforme a Teoria da Ação Comunicativa do sociólogo alemão Habermas, é necessário a discussão de diferentes partes com visões opostas de um mesmo assunto e com o mesmo espaço de fala, para que seja criado conhecimento e as visões evoluem. Dessa forma, a segregação espacial e cultural das diferentes classes sociais impede um encontro desses lados e, sendo assim, a formação de novas ou reformadas ideias, ao contrário, normaliza e acentua esse processo separador, criando bolhas fechadas de indivíduos e não uma nação completa.

Em virtude dos fatos mencionados, a normalização da segregação atrelada a falta de políticas públicas que amenizem a situação resultam numa sociedade estagnada, apática e separada. Nesse sentido, o Ministério da Educação, em parceria com a Secretaria da Cultura deve construir Centros Culturais públicos e oferecer atividade recreativas e educacionais, como o ensino de línguas estrangeiras ou bibliotecas públicas, para estudantes de escolas públicas e privadas, a fim de aproximar crianças e jovens de diferentes realidades, e então gerar um sociedade mais unida e  com mais valor aos espaços públicos. E por fim, a distância que segrega um mesmo povo diminuirá.