Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)

Enviada em 16/05/2020

Na obra “Utopia”, do escritor Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. Todavia, o que se observa na realidade hodierna é o oposto do que o autor prega, uma vez que a segregação das classes sociais no Brasil apresenta barrreiras, as quais dificultam as realizações dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto da falta de mecanismos que promovam a igualdade social, por conseguinte, ocasionando graves consequências, como o preconceito. Diante disso, torna-se imprescindível a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionanmento da sociedade.

A priori, é fulcral pontuar que a segregação de classes sociais no Brasil deriva da baixa atuação dos setores governamentais no que concerne à criação de mecanismos capazes de estabelecer relações de igualdade entre as diferentes classes sociais brasileiras. Segundo o filósofo grego Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. De maneira análoga, obseva-se no nosso país um contraste ao que é afirmado pelo filósofo, uma vez que, de acordo com o Coeficeinte Gini -que mede o índice de desigualdade nos países, o Brasil está em sétimo no rank dos países mais desiguais do mundo. Nesse sentido, tendo em vista a diferença de realidades, tanto econômicas quanto sociais, as classes ficam isoladas umas das outras, dificultando que haja agregação entre ambas.

Consequentemente, em razão da segregação social, ocorre pouco contato entre as camadas da sociedade, tornando-se possível, infelizmente, a ascensão de preconceitos entre elas. Haja vista, o aumento do número de favelas construiu-se como um fator determinante para o crescimento do preconceito social, uma vez que, devido ao fato das favelas apresentarem elevadíssimos percentuais de precariedade e criminalidade, é criado um pensamento coletivo discriminante em torno dos moradores desses locais, que são automaticamente associados aos problemas do lugar. Ademais, tudo isso retarda a resolução do empecilho, contribuindo de maneira prejudicial, para a perpetuação desse quadro deletério.

Destarte, urge que o governo elabore medidas com o intuinto de mitigar a problemática. O Ministério da Educação (MEC), por meio de verbas governamentais, deve criar uma campanha nacional de combate ao preconceito social. Essa campanha deve ocorrer tanto em escolas públicas quanto particulares, e necessita conter palestras que estimulem o respeito e explanem a importância da integração social para alunos do ensino infantil. Dessa forma, atenuar-se-á, a médio e longo prazo, os impactos nocivos do impasse.