Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)

Enviada em 06/05/2020

“O poder político é o poder organizado de uma classe para a opressão de outra.” A frase pertence a Karl Marx, sociólogo do século XIX, e ressalta a segregação sofrida das classes sociais no período de ascensão do capitalismo, fato esse que repercute na atualidade e não recebe medidas eficazes para sua contenção, prejudicando a sociedade como um todo. Nesse viés, são necessárias mudanças promovidas pelo Estado e pela população, com o fito de alterar positivamente esse cenário alarmante.

Primordialmente, é válido analisar o pensamente do sociólogo francês Pierre Bourdieu, o qual, em sua obra intitulada “A distinção”, retrata a ideia de senso comum, uma forma de dominação imposta à sociedade pelas classes soberanas, conspirando para as desigualdades e para a futura alienação do cidadão. Tal afirmativa mostra-se presente no poder público, em que a falta de investimentos na segurança social atinge de forma direta grande parcela da população. Desse modo, inúmeros jovens e adultos são prejudicados pela ausência de direitos básicos, como a saúde e a educação. Assim sendo, o indivíduo encontra-se a mercê de um sistema que desfavorece o seu crescimento social, o que acarreta uma enorme disparidade entre classes. Dessa maneira, não só os ideias da Carta Magna são comprometidos, mas também o desenvolvimento cultural e intelectual do organismo.

Ademais, é notório ressaltar que, segundo pesquisas realizadas pelo IBGE, em 2018, quase metade da renda brasileira estava concentrada em pouco mais de 10% da população, tornando a nação uma das dez mais desiguais do mundo. Logo, fica inegável o péssimo acesso à igualdade de oportunidades entre os habitantes, o que fomenta na fácil manipulação das camadas mais desfavorecidas, ao contribuir com a alienação na sociedade, fato que transforma o ambiente em “bolhas” sociais distintas, como acontece em vários bairros do país, na qual a desigualdade é vista de forma clara, muitas vezes, separadas por um muro. Por consequência, sem o incentivo populacional, esses fatores crescem em fluxo contínuo e contribuem para a ampliação dessa problemática.

Destarte, a colaboração entre o Estado e a sociedade é essencial para solucionar esse entrave. Isto posto, para que a segregação social seja reduzida, cabe à autarquia federal, vide investimentos nos direitos básicos do cidadão, promover melhorias não só acesso à educação, como também nas moradias de qualidade. Desse jeito, os fatores que contribuem para a desigualdade seriam reduzidos, contribuindo para o desenvolvimento da nação. As instituições escolares devem, por sua vez, promover palestras e debates aos seus alunos, com o fito de instruir e de alertar para o respeito com o próximo, como consequência, os indivíduos estariam vivendo um período de progresso socioeconômico. Assim, nenhuma classe seria opressora diante de outra, conforme desejava Marx.