Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)

Enviada em 06/05/2020

Devido ao conceito eurocêntrico de mundo, durante muito tempo, a África do Sul sofreu o regime do Apartheid, no qual a elite branca vivia separada da população negra nativa do país, tanto no trabalho quanto nos mercados e meios de transporte público. Nesse contexto, havia uma clara distinção dos direitos e serviços oferecidos pelo Estado aos cidadãos por conta da discriminação das etnias africanas. Paralelamente, mesmo após avanços constitucionais, o Brasil apresenta uma crescente segregação das classes sociais, fruto de um modelo elitista de colonização e da ofuscada demarcação e dependência do dinheiro nas relações sociais.

Em primeiro plano, é importante salientar acerca do processo histórico de ocupação da terra no país. Nessa relação de uso e distribuição do território, primeiramente, houve a criação de 14 capitanias hereditárias - o que, desde então, tornou o direito à posse das propriedades baseado na origem social. Desse modo, com o passar do tempo, essas relações se intensificaram e impediram o acesso democrático das terras. Prova disso é que a maior parte do Brasil, isto é, cerca de 50%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), pertence a latifundiários. Logo, fica evidente que a distribuição territorial não é igualitária no país., fenômeno que favorece a desigualdade de classes.

Ademais, a segregação, presente de forma velada nas cidades, corrobora intensamente para essa distopia. Nesse sentido, o filme “O preço do amanhã” retrata um sistema no qual o tempo é dinheiro e que permite que os ricos vivam para sempre, enquanto os pobres devem implorar por cada minuto de vida. De maneira análoga, observa-se que, na sociedade contemporânea, os melhores serviços de saúde, educação, segurança e alimentação são de custo inacessível para a maioria da população, já que os valores somados superam rapidamente o salário mínimo vigente no Brasil. Isso mostra que, desfavoravelmente, o destino das pessoas está condicionado ao seu poder aquisitivo.

Portanto, medidas são necessárias para que haja a resolução desse impasse. Destarte, o Governo Federal deve investir, através de verbas obtidas pela arrecadação de impostos e pela reforma agrária de latifúndios improdutivos, em políticas sociais, como a “Minha casa, minha vida” e “Bolsa Família”, por meio da ampliação de tais programas - com o fornecimento de planos de saúde, novos edifícios e parcerias com as instituições particulares de ensino para a redução de custos. Sendo assim, o intuito de tais medidas é promover uma reestruturação social, com a contenção da desigualdade e oferecimento de serviços equivalentes para toda a população. Diante disso, o Brasil se desviará do destino distópico evidenciado na trama de O preço do amanhã e garantirá, assim, o cumprimento dos direitos previstos na Constituição.