Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)
Enviada em 05/05/2020
De acordo com Pierre Bourdieu, sociólogo frânces contemporâneo, a violação dos direitos humanos não consiste no embate físico, mas sim na perpetuação de segregações que atentam contra a dignidade humana. Dessa forma, a diferenciação das classes sociais no Brasil fere uma importante vertente da coesão do corpo social, a inquestionável necessidade do compartilhamento de uma vida comum entre os cidadãos. Nesse sentido, observa-se que a condição das divisões coletivas apresenta um cenário desafiador seja a partir de reflexo histórico, seja pelo advento de um crescente individualismo.
Mormente, ao avaliar esse distanciamento por um prisma estritamente histórico, nota-se que desde a colonização brasileira a marginalização dos menos favorecidos, assim como a população, apenas cresceu. De forma que, com a urbanização do país e, em sequência, o crescimento do capitalismo, a separação social foi se tornando cada vez mais clara. Assim como elucidou Bauman, o derretimento da sociedade proporcionou uma união de todos para consumir, enquanto o produto a ser consumido destaca o prestigio social de cada consumidor.
Além disso, cabe ressaltar que essas complexidades se instauram no caos estrutural relacionado ao advento de um crescente individualismo social, a exemplo da “condominização” recorrente no país, em que o distanciamento e criação de barreiras físicas entre as diferentes classes sociais gera um sentimento de segurança aos mais abastados e exclusão aos mais pobres. Tal situação remete a uma ampla segregação que, além dos condomínios, está presente também nos camarotes e áreas vip de eventos, na valorização simbólica de produtos, entre outras esferas sociais que salientam previamente o público-alvo.
Portanto, à luz dos fatos mencionados, torna-se imperativo que o Ministério do Desenvolvimento Social, em parceria com recursos midiáticos, elabore projetos e políticas, em âmbito nacional, com o intuito de combater a segregação das classes sociais no Brasil. Isto pode ser feito com o uso de “Merchandising Social”, mediante a criação de personagens fictícios que atinjam a população em seu horário nobre, ressaltem a importância do compartilhamento de uma vida comum entre os cidadãos e incentive a busca pela empatia, para que, por meio dessas ferramentas, o corpo social esteja ciente das consequências e sentimentos causados pela marginalização.