Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)
Enviada em 05/05/2020
O filme espanhol “O Poço” foi lançado recentemente pela Netflix e traz a premissa de uma forma de “prisão”, onde os moradores vivem em andares diferentes e recebem comida de acordo com o nível em que estão - os que se localizam mais ao alto recebem mais comida e os de baixo não recebem quase nada. Essa dinâmica contida no filme relaciona-se com um importante problema estrutural brasileiro: as classes sociais, que atuam de forma segregada. Assim, faz-se necessário compreender e discutir o principal motivo que leva a tal impasse, além das decorrências trazidas por ele.
Em primeira análise, a questão das classes sociais no Brasil decorre de um processo histórico iniciado ainda no período colonial. Desse modo, desde o ano de 1500, com a chegada dos portugueses, fez-se presente uma diferença de comportamento entre os europeus e os indígenas que aqui residiam. Além disso, com o tráfico negreiro, a situação tornou-se ainda mais conflituosa, com a adesão de uma classe social: a do negro escravizado. Assim, é impossível negar a influência da história nos problemas atuais de classes sociais, em que uma abolição da escravatura mal planejada não resolveu as diferenças existentes entre os grupos do Brasil do fim do século XIX. Dessa maneira, essas diferenças persistem ainda atualmente, porém de cara nova, em que se pautam de acordo com o poder aquisitivo, não mais apenas pela questão étnica.
Por conseguinte, com essa segregação social, há a falta de esforço, por parte do Governo, de manter as instituições públicas, já que elas, na maioria das vezes, são utilizadas pelas pessoas de menor renda. Isso ocorre por causa da ideia de que essa população aceitaria qualquer coisa, já que não tem posse de quase nada. Desse modo, constantemente há carência de recursos nas instituições de saúde, de educação, de apoio psicológico, etc, além de uma quantidade enorme de pessoas em situação de pobreza. Uma dessas pessoas, chamada Carolina de Jesus, favelada e negra, registrou sua vida cotidiana no livro Quarto de Despejo, onde deixou gravado os sofrimentos que passava com seus filhos na favela, desde fome até violência. Isso demonstra claramente o quão as classes sociais são desiguais no Brasil, onde uns têm exorbitante quantidade de dinheiro e outros têm tão pouco.
É necessário, portanto, medidas para resolver tal segregação social. É preciso que o Governo nacional, em parceria com os Governos estaduais, invista mais recursos nas escolas públicas inicialmente. Isso deve ser realizado por meio de doações financeiras e fiscalização do modo como esses colégios usam o dinheiro, a fim de que, por setores, consiga-se melhorar a vida de quem pertence às classes mais desfavorecidas financeiramente. Assim, finalmente “O Poço” não representará mais a realidade brasileira.