Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)

Enviada em 07/05/2020

No filme espanhol “O poço”, é retratado de forma satírica e distópica a convivência social entre as pessoas em uma prisão que é dividida em vários níveis verticais, cujo os mantimentos que teoricamente seriam distribuídos para todos, acabam ficando concentrados nos andares de cima por conta do egoísmo e individualidade dos prisioneiros, deixando os de baixo apenas com os restos. Fora da ficção, no contexto brasileiro, também é possível evidenciar que a desigualdade de distribuição de renda juntamente com a passividade da população frente a esse problema, acarreta a uma maior segregação social, evidenciando assim, um grande abismo entre as classes.

Em primeira análise, é importante destacar que a segregação das classes sociais brasileiras está intrinsecamente ligada a desigualdade social no país, que possue raízes históricas. Visto que, ainda no período colonial, por exemplo, o Brasil apresentava um sistema latifundiário, cujo os proprietários de terras detinham da maior parte das riquezas geradas no país, enquanto a grande parte da população contentavam-se com pouco. Por conseguinte, de acordo com o relatório de desenvolvimento humano feito em 2015 pelo Pnud, o Brasil está em sétimo lugar no ranking dos países mais desiguais do mundo e em segundo lugar em concentração de renda. Sob essa óptica, é exatamente essa realidade desigual da população descrita por Darcy Ribeiro ao afirmar que há vários “brasis” dentro do Brasil.

Sob esse viés, visto que a problemática encontra-se enraizada no país, é possível observar ainda  uma passividade de grande parte da população brasileira ao naturalizar a desigualdade como forma comum em uma sociedade. Paralelo a isso, no livro “Ensaio sobre a cegueira”, o autor José Saramago usa o termo “cegueira” como uma forma metafórica de descrever a falta de interesse da população atual em se comprometer na resolução de entraves sociais, fingindo simplesmente não vê-los. Desse modo, é necessário então intervenções concretas para a resolução desses impasses sociais.

Portanto, com o intuito de amenizar essa problemática, cabe ao Poder Executivo Federal um maior investimento em projetos sociais que busquem trazer a igualdade entre as classes, oferecendo oportunidades de empregabilidade aos menos favorecidos, por exemplo, fazendo com que a renda não fique apenas concentrada em uma parcela da população. Além disso, espera-se do Ministério da Educação, por meio de verbas governamentais, crie propagandas publicitárias que evidenciem o grande problema estrutural que é a desigualdade social, fazendo com que a mesma não seja naturalizada, buscando uma maior conscientização e comprometimento da população frente ao problema. Assim, será possível combater as segregações sociais vistas em “O poço” e, ademais, criar pontes nos abismos entre as classes no Brasil.