Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)

Enviada em 06/05/2020

Na obra “O Cortiço”, do escritor brasileiro Aluísio de Azevedo, é retratado um cenário no qual o personagem principal, sendo abastado, compara suas condições de vida com a de um burguês e reconhece que para ter melhores condições, enfrenta muito mais obstáculos do que o outro personagem. Nesse viés, a ficção pode ser comparada com a realidade brasileira, haja vista que assim como na obra, as menores classes sociais são desfavorecidas em vários âmbitos da sociedade, tendo como um dos seus principais motivos a segregação social. Dessa forma, é inegável reconhecer que a forma como as necessidades básicas de ricos e de pobres são supridas é discrepante.

Em primeira análise, ao segregar uma classe social de outra, pode-se dizer que houve a separação delas por algum fator, principalmente econômico. Diante disso, nota-se a grande diferença na rotina básica entre brasileiros de classes menos e mais favorecidas, levando em conta que para fazer o que é considerado comum, uns encontram mais dificuldade que outros. Como exemplo: o estudo, a qualidade de ensino das pessoas de menor poder aquisitivo comparada com a de mais ricas, podendo destacar desde o transporte ao local de aprendizado até a estrutura e organização de uma escola pública em contraste com uma instituição particular. Ademais, o problema teria dimensões menores se as diferenças fossem somente estruturais, porém, de acordo com dados do INEP, apenas 5% dos alunos do sistema público apresentam desempenho classificado como adequado.

Em segunda análise, desde a República Oligárquica, as reformas urbanas foram intensificadas no Brasil, tendo como principal objetivo embelezar os centros das cidades, obrigando a população mais pobre a migrar para as periferias, o que perdura até hoje. Dessarte, a segregação além de ser social, é também geográfica, ou seja, é cada vez mais difícil ricos e pobres frequentarem os mesmos locais, seja para estudar, receber assistência médica ou se divertir. Desse modo, apesar de os direitos dos brasileiros serem iguais teoricamente, na prática é bem diferente, o que pode ser analisado com o pensamento do sociólogo francês Émile Durkhein em seu conceito de “Anomia social”, no qual as normas são poucos esclarecidas ou até ausentes.

Portanto, para atenuar a discrepância entre as classes, é necessário que o Governo, órgão responsável por suprir as necessidades públicas, invista em setores de bens comuns da sociedade, principalmente no sistema educacional público, de modo que as oportunidades para esses indivíduos obterem uma mobilidade social positiva aumente e as comparações com instituições privadas diminua. Além disso, o mesmo deve ser feito em outros setores públicos, como o de transporte, para que cada vez menos haja diferença entre rotina básica de ricos e pobres. Assim, a segregação será atenuada.