Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)
Enviada em 07/05/2020
Quando se fala sobre desigualdade social, percebe-se que, no Brasil, esse fenômeno é bastante evidente. O país do futebol é, também, o país em que ¼ da população vive com menos de quatrocentos e vinte reais por mês, segundo o IBGE. O porquê dessa condição se encontra no tipo de processo de colonização pelo qual o Brasil passou; e algumas das consequências desse processo são o preconceito e a falta de empatia dos mais ricos em relação aos mais pobres.
Como se sabe, o Brasil foi descoberto numa época em que o mercantilismo, que é uma atividade comercial que visa estritamente o lucro e as vantagens econômicas, estava presente em quase toda a Europa. Isso, juntamente com a disputa por terras e poder político entre Portugal e Espanha durante as grandes navegações, fez com que o Brasil sofresse grande exploração de recursos naturais, opressão e escravização dos povos que aqui moravam. Nesse período, iniciou-se o processo de segregação social brasileiro: os portugueses e outros europeus que vinham para cá possuíam recursos financeiros, portanto se consideravam superiores; os nativos e outros povos escravizados pelos europeus, por sua condição de servidão, eram seres inferiores.
Ademais, desde o período colonial, há grande descaso com a parcela pobre da população por parte do corpo político brasileiro. Embora existam programas de assistência social como o Bolsa Família e o BPC (Benefício de Prestação Continuada), quem nasce pobre ainda tem muita dificuldade de permanecer na escola ou de obter atendimento médico básico, por exemplo. Essa falta de empatia e de alteridade para com as pessoas em situação de vulnerabilidade social ficou muito bem retratada no filme “O Poço” da empresa “Netflix”, que apresenta uma crítica social bastante condizente com a realidade: quem está mais acima no poço (a elite política) não é capaz de comer só o necessário para que quem está mais abaixo (as pessoas mais pobres) possa, se alimentar e não morrer de fome.
Com base no que foi mencionado, percebe-se que a desigualdade social existente no Brasil tem origem em seu descobrimento. Dessa forma, fica claro que é muito difícil erradicar o sentimento de superioridade que os mais ricos sentem em relação aos mais pobres; transformar seu preconceito em ações e políticas públicas de combate à miséria é uma tarefa igualmente penosa. Porém, é necessário que a sociedade em geral se sensibilize e promova, junto aos Poderes Legislativo e Executivo, ações integradas no âmbito da Assistência Social, a fim de atenuar os efeitos da segregação social.