Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)

Enviada em 05/05/2020

O livro Jogos Vorazes, escrito pela autora Suzanne Collins, transmite, por meio da ficção, uma sociedade elitista e segregacionista que pode ser comparada com a realidade de diversas nações atuais - entre essas, o Brasil. Embora com distinções, a maior semelhança aparece no poderio econômico da elite, conseguindo estar no alcance das melhores opções socio-culturais. As camadas periféricas, por sua vez, estão sendo constantemente excluídas.

Dessa forma, é relevante abordar, primeiramente, o crescente uso dos famosos camarotes. Com preços exorbitantes, esse espaço apresenta-se, evidencialmente, apenas para as altas classes sociais. De comícios políticos até o carnaval, a “camarotização” dos lugares contribui para o aumento da segregação social brasileira - considerada como característica do país por Sério Buarque de Holanda, no livro Raízes do Brasil.

Paralelo a isso, é pertinente destacar outra consequência dessa exclusividade: a ameaça à democracia. Em conformidade com o professor de Harvard Michael Sandel, o regime democrático exige que os cidadãos compartilhem uma vida comum. Assim, as pessoas deveriam encontrar-se e conviver. O que acontece, no entanto, é a contínua separação não só nos ambientes culturais, como também nas áreas educacionais e de saúde.

Torna-se clara, por conseguinte, a necessidade de conter a segregação das classes sociais no Brasil. É importante que o Ministério da Economia estabeleça como prioridade na Lei das Diretrizes Orçamentárias a construção de locais dignos e acessíveis para a convivência de diversas classes. Desse modo, será proposto aos cidadãos um momento que permita o primeiro passo para uma menor distinção social.