Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)
Enviada em 04/05/2020
A construção dos feudos, muros que delimitam uma determinada área no período medieval, segregou milhares de camponeses que ficavam nas periferias, enquanto que ao centro, ficava o castelo com acesso somente para a nobreza. Semelhante a essa época, no contexto do Brasil contemporâneo, os espaços ainda são “feudalizados” com áreas exclusivas para uma elite econômica e a diminuição do espaço público de qualidade para compartilhamento coletivo, refletindo, portanto, as desigualdades estruturais que consagram simbologias de poder.
Com a industrialização e privatizações ocorrida a partir da década de noventa, ocorreu o aumento da disparidade econômica e social entre as classes, e muitos ambientes públicos passaram a serem privados, como por exemplo, blocos de carnavais começaram a ser patrocinados e a ter ambientes para pessoas ricas, enquanto as pessoas de baixa renda ficavam em espaços segregados, visto que, para a antropóloga Rosana Pinheiro Machado, a aversão a mistura é resultado da desigualdade estrutural no país.
Por conseguinte, os ambientes que ainda continuaram para espaços coletivos passaram a receber pouco investimento de infraestrutura do governo, evidenciando cada vez mais as diferenças dos espaços de classes baixas dos espaços de classes ricas, perpetuando assim, simbologias de poder, que segundo a teoria de Pierre Bourdeau, no qual afirma que todas minúcias de um indivíduo constituem simbologias que são constantemente analisadas pelo corpo social, isto é, no carnaval, os espaços privados passaram a ser chamados de “camarotes”, enquanto o espaço público de “pipocação”, evidenciando assim, a perpetuação das estruturas de quem é superior a quem.
Tendo em vista o que foi discutido, é necessário, portanto, que o ministério da infraestrutura invista, por meio de verbas governamentais, em adequações e melhorias dos ambientes de uso público, para que todas as classes possam usufruir de um ambiente de qualidade. Ademais, o ministério da educação deve criar, por meio de verbas, discussões em escolas tratando da conscientização das simbologias perpetuadas no corpo social, pois somente assim, podemos compartilhar e se misturar em ambientes públicos de qualidade, rompendo com essas simbologias e a desigualdade estrutural do país semelhante a “feudalização” da idade média.