Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)

Enviada em 03/05/2020

Com o advento da Revolução Industrial, um fenômeno já vigente cresceu demasiadamente: A segregação socioespacial, principalmente nas culturas ocidentais, por critérios econômicos. A tal, chegou ao Brasil com muita força, e acarretou imensuráveis efeitos na sociedade brasileira. Um deles é o da atual majoritariedade da elite financeira em certos espaços públicos, como as universidades mantidas pelo Estado. Além disso, o processo da gentrificação, vinculada à especulação imobiliária, vem ocorrendo de forma cada vez mais ríspida.

A priori, deve-se considerar a enorme discrepância entre o número de jovens descendentes de escolas públicas, em tese menos favorecidos, frente aqueles da rede privada; como exemplo: São apenas 25,7% na Universidade de São Paulo (USP), segundo o jornal G1. Essa condição da USP, que reflete um cenário nacional, demonstra como o poder de renda tem isolado camadas subalternas de espaços onde deveria haver uma pluralidade social, posto que as instituições públicas são para todos os cidadãos. Apesar de vagas serem destinadas especialmente a esse grupo por meio de cotas, elas ainda não estão ocorrendo em número suficiente e devem ser ampliadas, visando uma maior heterogeneidade desses locais.

Ademais, há um processo que ganhou força nas últimas décadas, principalmente nos centros urbanos, onde pessoas de baixa renda, que residem em áreas onde ocorre uma especulação imobiliária, são retiradas de seus locais de habitação para que a área seja ocupada por camadas mais ricas, a gentrificação. Esse processo , que é ilustrado na obra literária O Cortiço de Aluízio Azevedo e explícito na Rua Augusta em São Paulo, não leva em conta raízes históricas dos residentes e seus novos locais de moradia, sendo muitas vezes transferidas para áreas de risco ou comunidades carentes. Por isso, medidas a fim de minimizar os efeitos nocivos da gentrificação devem ser tomadas.

Portanto, é indubitável que a segregação social acarreta prejuízo para milhões de brasileiros. Condições como o predomínio da elite nas universidades públicas devem ser coibidas. Para isso, ações como o aumento no número de cotas, chegando em até 50% das vagas destinadas para alunos da rede pública, precisam ser tomadas pelas universidades, para uma maior democratização do conhecimento. Além disso, atitudes como a retirada de pessoas de seus locais vem ser reprimidas. Caso mesmo assim ocorram, prefeituras devem incluir nas licitações dos locais a serem reformulados, a construção de novas moradias e uma indenização à população que será realojada, a fim de que as mudanças sejam amenas.