Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)

Enviada em 05/05/2020

O tema da segregação racial virou discussão nacional em razão do último Big Brother Brasil, na voz de participantes como o ator Babu Santana e a vencedora Thelma Assis. Porém, essa já é uma discussão presente em diversos setores culturais: desde o livro vencedor do Man Booker Prize “O vendido”, de Paul Beatty, até, localmente, a discografia do Racionais MC’s.

Do ponto de vista do materialismo dialético, é impossível ignorar que os séculos de uma prática escravocrata sedimentaram a realidade atual. O indivíduo não se descola da sociedade, e todas as questões estruturais e sistêmicas ativamente interferem nas relações raciais. Além disso, o uso de vantagens econômicas, historicamente garantidas à população branca, serve como um importante fator de diferenciação social tal qual o conceito de poder simbólico de Bordieu. Em suma, há uma variedade intangível de forças atuando para que uma hegemonia branca calcada na segregação racial seja mantida.

Ao encarar a busca por equidade de forma séria e responsável, se torna óbvia a necessidade de intervenções a nível coletivo e individual. Políticas públicas como cotas agem diretamente no problema, enquanto garantia de transporte, lazer, educação e saúde de qualidade para todos os cidadãos trazem dignidade e igualdade constitucionais. Em setores privados, é de suma importância a criação de iniciativas de inclusão para minorias como bolsas de estudos e vagas em processos seletivos profissionais.

Em síntese, o caminho para a extinção da segregação racial é longo e marcado por ações ativas e constantes. Ainda assim, é nosso dever como indivíduos e como sociedade o pagamento dessa dívida histórica até que todos sejam, verdadeiramente, iguais perante a lei.