Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)
Enviada em 05/05/2020
“A história da humanidade é a história da luta das classes”. Às luzes do sociólogo Karl Marx, que baseou seu pensamento na extinção das classes e das diferenças presentes na sociedade moderna, é certo que, analogamente, percebe-se a presença de um grupo que não foge à luta por seus direitos: a população menos favorecida economicamente. Diante disso, a conjuntura dessa análise configura-se no Brasil atual, haja vista que a segregação das classes sociais, no país, ainda é um grande problema. Essa realidade se deve, essencialmente, por consequência de questões socioculturais e econômicas.
Evidencia-se, a princípio, que o acesso das camadas mais populares a ambientes que antes eram exclusivos de classes mais abastadas fez com que a discriminação e a segregação fossem devassados. Visto isso, iniciou-se o processo de “camarotização” da vida pública, de modo que é crescente a tendência dos mais ricos a segregarem-se em espaços exclusivos que mostrem sua distinção e seus ideais de superioridade. Essa dinâmica na sociedade hodierna, configurou-se como mecanismo de opressão, visando destacar a inferioridade econômica e social das camadas menos favorecidas, fomentando a segmentação de grupos e a elitização de espaços comuns.
Outrossim, cabe analisar que a busca por maior lucratividade, elitiza espaços para atrair um público específico. Dentro desse ínterim, o célebre geógrafo Milton Santos afirma que, as mazelas sociais são condicionadas pelas elites privadas em prol do lucro do sistema capitalista. Sob essa perspectiva, a segregação social configura-se como forma de manutenção dessa ordem, uma vez que as camadas sociais mais ricas pagam mais por ambientes exclusivos que os destaquem da camada popular, mercantilizando e elitizando espaços, produtos e, inclusive, o convívio social.
Dessa forma, percebe-se que o debate acerca da estratificação da sociedade é imprescindível para realizar mudanças. Portanto, o Ministério da Educação deve, por meio de amplo debate entre Estado, sociedade civil e profissionais especializados, lançar um projeto educacional interdisciplinar, para ser desenvolvidos em escolas, com o objetivo de amenizar a segregação social, cabendo, assim, a desconstrução do ideal de superioridade da elite. Às escolas, cabe o desenvolvimento de debates engajados e atividades lúdicas, com vistas a integrar os estudantes e, por conseguinte, a sociedade, para amplo exercício da democracia, visto que ações culturais coletivas têm vasto poder transformador. Posto isso, poder-se-á reverter essa realidade.