Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)

Enviada em 02/05/2020

O empobrecimento generalizado dos camponeses e dos operários russos, no século XIX, foi um dos fatores que culminou na Revolução Russa, no ano de 1917. A sociedade, na época, era marcada por uma profunda desigualdade e segregação social, em que delimitavam-se os espaços destinados à cada estrato. Analogamente, percebe-se, na sociedade brasileira, um aumento ininterrupto da segregação das classes, o que, em sua essência, representa uma ameaça à democracia e aos direitos, conquistados desde a promulgação da Constituição de 1988. Faz-se, portanto, intrínseco a análise desse quadro.

Inicialmente, a ideia geral, que permeia o imaginário, sobre tal situação problema é a de que a segregação social é algo inato às sociedades humanas e, sendo assim, não constitui um problema em si, tornando-se objeto discutível somente de programas de partidos políticos que aproveitam-se da fragilidade do povo para se alavancarem. Entretanto, a problemática é relevante, visto que, cada vez mais, pessoas de origens sociais distintas não frequentam espaços comuns. Assim, o que antes eram considerados direitos sociais inalienáveis, tais como moradia e lazer, hoje são mercantilizados, com espaços e serviços públicos mais degradados e negligenciados, tanto pela sociedade como também pelo poder público. Tal conjuntura, desta forma, coloca em risco a própria existência do Estado de bem estar social, ideologia política tanto defendida pelo estadista Otto von Bismarck.

Em adição, a problemática constitui, além de uma ameaça ao bem público, um desequilíbrio do tecido social e das relações humanas. Segundo o filósofo Habermas, incluir não é só trazer para perto de si, mas também crescer junto com o outro. Dentro dessa ótica, é notório o abismo das relações entre indivíduos de diferentes estratos, em que o isolamento e a segregação dificultam as oportunidades de interação e convivência, podendo gerar quadros de preconceito e ódio social, como pode ser visto, recentemente, nos casos de espancamento de populações em situação de rua, na cidade de Santos.

Destarte, faz-se mister a adoção de medidas exequíveis na contenção de tal inercial problemática. Assim, com o fito de reduzir o abismo das relações humanas e, desta forma, a segregação das classes, o Estado, representado pelo governo estadual aliado às prefeituras locais, deve protagonizar uma campanha de revitalização dos espaços públicos, promovendo, além disso, eventos culturais e artísticos gratuitos à toda população. Tal medida, realizada em cada semestre do ano, será feita por meio de acordos com artistas e músicos de cada região, integrando, portanto, toda população de uma determinada cidade. Só assim, os direitos sociais, do 6° artigo da Constituição, serão respeitados.