Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)
Enviada em 04/05/2020
A imagem do Brasil como país misto e promotor da igualdade, exposta pela mídia, passa um ideal, muitas vezes, errôneo da nação como espaço de convivência saudável e amplo respeito mútuo. No decorrer da história, todavia, diversos grupos sociais foram segregados no cenário nacional e tiveram seu direito de convivência em muitos espaços cerceados institucionalmente. Nesse sentido, entende-se essa problemática como um acinte à igualdade prevista na Constituição Federal, o que atesta para a necessidade de cooperação de toda a sociedade para uma real atenuação da questão.
É válido salientar, a princípio, que grande parte dessa segregação é fruto de uma construção histórica pautada no privilégio de algumas classes em detrimento de outras. Nessa perspectiva, segundo o historiador Bóris Fausto, a ocupação de espaços se deu de maneira desordenada desde a chegada da família real, em 1808, de maneira que a população pobre foi expulsa dos grandes centros urbanos e marginalizados dos espaços de convivência social, como bares e cinemas, sob a perspectiva de promover uma ‘’europeização’’ da sociedade brasileira da época, o que culminou com o alocamento desses indivíduos nas periferias, bem como com o distanciamento dos acessos aos bens de consumo social, como cinemas, lamentavelmente. Diante disso, é nítida a deturpação desse processo histórico e a necessidade de mudança nessas questões enraizadas na sociedade.
Além disso, seria ingênuo não destacar o sentimento de individualização que cerca grande parte do povo brasileiro. Nesse âmbito, segundo o sociólogo Sergio Buarque de Holanda, ao expor o conceito de ‘‘homem cordial’’, no seu livro ‘‘Raízes do Brasil’’, a maioria da população nacional tenta expor uma imagem cordial e hospitaleira de si mesmo, mas a realidade da mentalidade dos indivíduos é pautado na convivência com os que mais se assemelham, de maneira ideológica, econômica e social, de modo que esse sentimento contribui para a segregação de diversos grupos brasileiros, infelizmente. Nesse contexto, um exemplo dessa problemática pode ser relatado nos ‘‘rolezinhos’’, que se difundiram em 2014 nas grandes metrópoles brasileiras, e, que, segundo a colunista Eliane Brum, representam o desejo dos jovens marginalizados de participar da ‘‘festa do consumo’’.
Mostra-se, portanto, essencial a adoção de medidas que visem à superação do paradigma supracitado através, sobretudo, de tentativas de mudança ideológica da população, bem como de políticas sociais capazes de promover igualdade social plena. Assim, é fundamental a atuação do Estado, por meio do MEC e de investimentos econômicos específicos, na promoção de uma educação pautada no respeito mútuo e na possibilidade de ascensão social, de maneira que o sentimento de individualismo seja atenuado e a imagem de cordialidade seja apontada na prática no Brasil.