Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)

Enviada em 05/05/2020

Apartheid censitário

Jorge Amado, na obra “Capitães da areia”, ilustra a árdua realidade de adolescentes marginalizados pela sociedade que buscam sobreviver. Todavia, a apartação não ocorre apenas com jovens e crianças mas também, com classes sociais mais baixas, devido à falta de visibilidade e conhecimento desses indivíduos. Desse modo, observa-se o quão essencial é a criação de medidas para combater a segregação das classes sociais no Brasil, a fim de reduzir desigualdades existentes e ameaças à democracia.

Em primeira análise, o psicólogo Fernando Braga da Costa conceitua “invisibilidade social” como um fenômeno que apaga intersubjetivamente o indivíduo por ele não oferecer prestígios à sociedade. Sob esse viés, pessoas de classes mais baixas tem suas necessidades esquecidas pelo governantes, evidenciando ainda mais a segregação de classe e as divergências econômicas entre elas. Dessa forma, faz- se fundamental que os deputados também priorizem sanar os problemas enfrentados pela população marginalizada, como saneamento básico, educação, alimentação, moradia e saúde, com objetivo de reduzir as desigualdades sociais no Brasil.

Outrossim, o sociólogo Pierre Bourdieu teoriza “capital cultural” como  conhecimentos acumulados por cada ser humano durante a vida, porém, o ensino não é passado de igual forma para todos. Nesse sentido, nota-se que a segregação social também ocorre nas escolas em virtude da falta de investimento na educação pública, prejudicando o aprendizado de muitos alunos o que resulta em baixo aproveitamento. Dessa maneira, salienta-se também que as Instituições Educacionais tem papel importante na formação do indivíduo para despertá-lo a ser crítico e democrático e, caso não haja investimento nesse setor, além de promover desigualdade social no ensino, torna-se uma grande ameaça a democracia.

Em suma, verifica-se que a falta de relevância e conhecimento entre as classes baixas acentua a segregação social no Brasil. Para solucionar essa problemática, compete ao Poder Executivo, em sua proposta de governo inserir medidas para reduzir as condições de carência vivida pelos mais pobres, como instalar rede de esgoto e garantir moradia digna, a fim de melhorar a qualidade de vida dessas pessoas. Além disso, cabe ao Ministério da Educação, por meio de envios de recursos, como lanches e materiais didáticos, com o objetivo de  proporcionar melhor aprendizado e atenuar as desigualdades sociais. À medida que essas sugestões forem aceitas, a realidade de marginalização exposta por Jorge Amado será mitigada no Brasil.