Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)
Enviada em 05/05/2020
Na obra “Utopia”, escrita por Thomas More, é retratada uma sociedade ideal e padronizada pela ausência de adversidade. Diferentemente do que se é exposto no livro, percebe-se, evidentemente, que na contemporaneidade existe uma situação recorrente da segregação das classes sociais no Brasil. Salienta-se, então, que esse cenário antagônico é fruto tanto da marginalização de indivíduos provenientes de classes mais desprovidas financeiramente quanto de uma ampliação de uma demarcação mais definidas dos supostos “lugares de ricos e lugares de pobre”. Nesse contexto, torna-se fundamental a superação desses desafios a fim do pleno funcionamento íntegro da coletividade.
O primeiro aspecto a ser considerado é a crescente elitização e hierarquização da sociedade de consumo que aliada a nítida desigualdade das classes sociais apresenta íntima relação com a perpetuação desse transtorno. Consoante Zygmunt Bauman, filósofo polonês, " Na era da informação, a invisibilidade é equivalente a morte". Nessa concepção, é indispensável expor a consequência da discriminação e a falta de acesso a determinados serviços, o que pode acarretar na marginalização e na invisibilidade de tais grupos. É preciso, dessa maneira, um maior enfoque à políticas que estimule uma maior conivência entre indivíduos de extratos sociais diferentes para que seja possível obter resultados que venham reverter esse quadro.
Outrossim, vale ressaltar que de acordo com o filósofo Michael Foucault em a “Microfísica do Poder”, as diferentes instituições sociais exercem uma relação de dominação para com indivíduo. Sob essa análise, é notável que certas noções criadas socialmente de que certos ambientes são destinados a classes sociais específicas fomentam a recriação de um modelo de convívio de sociedade bastante estamental, que acaba acarretando em uma auto-exclusão por parte dos mais pobres por não se sentirem à vontade em tais ambientes. Nesse sentido, esse infortúnio é legitimado pela ausência de ações que visem facilitar coexistência entre classes distintas nas mesma localidade.
Dessa forma, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da segregação das classes sociais. Primeiramente, cabe ao Poder Legislativo, por meio de debates entre congressistas, discutir que a melhor maneira de garantir-se o bem-estar social, é através da aplicação de multas as localidades que discrimine e marginalizes pessoas devido a classe social. Além disso, cabe o Poder Executivo, junto ao TSE, propor um projeto de emenda constitucional, que é importante para avanços da legislação para o direcionamento de verba para a criação de eventos públicos que atraía os mais diversos segmentos sociais. Assim, o Brasil se tornará mais justo e coeso, aproximando-se de um bem-estar social e de uma sociedade mais parecida com a que foi idealizada por More.