Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)
Enviada em 16/05/2020
A segregação das classes sociais é recorrente no Brasil. Considerando-se o período colonial, nele já havia um desejo de distinção, marcado pela grande estratificação social. Então, esse distanciamento entre as diferentes classes sempre esteve presente nas épocas da história brasileira. Atualmente, a desigual distribuição de renda e a persuasão das mídias para o consumo reforçam a divisão de classes.
A desigual renda entre os indivíduos, que tem como consequência a desigualdade social, é decorrente, nas grandes cidades, de uma inadequada infraestrutura desses centros no início da urbanização. Nesse cenário, a parte da sociedade que foi utilizada como mão de obra conseguiu desfrutar das melhores condições de vida, enquanto que a parcela restante, ficou às margens da sociedade. Assim, hoje, somando a essa situação o descaso do poder público perante a marginalização de parte da população, a disparidade na distribuição de renda é evidente. Em relação a isso, o governo pouco investe nos setores básicos, como saúde e educação, já que usa a política como forma de atender a seus interesses particulares, contrariando o pensamento de Aristóteles de uma política que deve ser seguida de maneira a alcançar o equilíbrio no Estado. Desse modo, o governo se distancia do princípio de harmonia, contribuindo com a desigualdade.
As mídias sociais são influenciadoras do comportamento humano, capazes de desencadear desejos e frustrações. Nesse sentido, as mídias se relacionam à noção de Indústria Cultural de Adorno e Horkheimer, esta que possui padrões que se repetem com o objetivo de criar uma imagem comum voltada ao consumismo. A Indústria Cultural age de forma satisfatória e efêmera por meio da oferta de produtos que agradam os indivíduos, influenciando a sociedade a consumir excessivamente. Como consequência, parte da população detentora de maior condição econômica sente-se superior às demais, uma vez que passa a possuir os objetos de desejo evidenciados nas mídias, enquanto as classes menos favorecidas lidam com a frustração de não poder adquirir, constantemente, os últimos lançamentos do mercado.
Portanto, é necessário que os Governos Estaduais, por meio do recebimento de verbas federais, destine parte regular desse capital às áreas de saúde e educação, com destaque para os locais em situação mais precária, a fim de eliminar as diferenças sociais. Paralelamente a isso, é preciso que o Poder Legislativo, como forma de conter a influência das mídias na segregação, através de reuniões entre parlamentares, crie uma lei que restrinja as propagandas comerciais a um número máximo de patrocinadores nessas mídias e também exija publicidades que enfatizem a união do povo brasileiro, as quais também devem ser mostradas nas mídias, para que a segregação das classes sociais diminua.