Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)

Enviada em 03/05/2020

O filme “Elysium”  critica a distinção entre as pessoas com base em fatores econômicos. A trama retrata uma sociedade divida entre ricos, os quais vivem em uma estação espacial com ótima qualidade de vida, e pobres, que vivem miseravelmente na Terra. Proporcionalmente, essa segregação também ocorre na realidade, visto que a sociedade brasileira está cada vez mais divida entre uma minoria que pode pagar para desfrutar do luxo e conforto e uma maioria que não pode, a exemplo dos camarotes. Sendo assim, enquanto a sociedade viver semelhante à realidade de “Elysium”, não é possível que haja uma real democracia, pois ao mesmo tempo que essa forma de governo prega a igualdade dos cidadãos, a segregação das classes sociais exclui muitos desse direito.

A priori, a sociedade brasileira, infelizmente, sofre do mesmo processo apresentado em “Elysium” na medida em que a disparidade entre as realidades socioeconômicas entre ricos e pobres é exorbitante. No filme, milhares de quilômetros separavam essas duas classes sociais. Já no Brasil, apesar de não haver tamanha distância entre elas, ambas estão cada vez mais segmentadas. Ou seja, elas se diferenciam desde os hábitos até os lugares que frequentam. Conforme o filósofo político Michael Sandel, esse processo de “camarotização” dos espaços, como ele define, corrompe a democracia de modo que, ao separar as diferentes classes sociais, não há troca de ideias entre elas e nem um sentimento de união que as faça lutarem por seus direitos, pressuposto de uma democracia. Isso ocorre, porque, segundo Sandel, a democracia exige que os cidadãos compartilhem uma vida em comum para que ela realmente funcione.

No entanto, a segregação das classes sociais e a “camarotização” apontada por Sandel são defendidas por algumas vertentes políticas, por elas atenderem à lógica do capitalismo neoliberal. Baseados nos postulados do economista Milton Friedman, políticos brasileiros, como o presidente Jair Bolsonaro e o ministro da economia Paulo Guedes, defendem que o Estado deve cortar os gastos públicos em todas as esferas a fim de desenvolver o país e a democracia. Porém, o que realmente fazem é elitizar os direitos básicos, o que contribui ainda mais para segregar as classes sociais.

Portanto, a democracia nunca será plena no Brasil se políticas, como as do neoliberalismo, continuarem segregando a sociedade brasileira, como ocorre no filme. Por isso, é vital que o Governo Federal invista em projetos para mitigar a disparidade existente entre as classes sociais brasileiras. Esses investimentos podem ocorrer por meio da construção de espaços públicos, como parques e praças, além da ampliação dos programas de distribuição de renda, como o Bolsa Família. Com essas medidas, haverá uma menor segregação social e ainda uma real democracia, conforme Sandel postula.