Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)

Enviada em 07/05/2020

As arenas da Roma antiga eram indispensável para política de pão e circo, ou seja, um regime de entretenimento e distração do povo dos problemas mais sérios da sociedade.Todavia, no meio desse “passatempo”, ocorriam, naturalizado,várias problemáticas da sociedade, assim como, principalmente, uma que pendura até os dias atuais: a segregação das classes sociais. Dessa maneira, era expressa na criação de “camarotes” os quais os melhores lugares ficava para a classe mais privilegiada, enquanto o resto sobrava para o povo. Nessa perspectiva, é visível essa marginalização, também, na sociedade brasileira atual  por um fator histórico que dificulta a criação de políticas públicas.

A princípio, a segregação das classes sociais é uma prática histórica na construção do país verde-amarelo. Outrora, no período joanino, isto é, momento que a corte lusitana veio para morar em sua colônia, muitas pessoas foram obrigadas a abandonar suas casas, com a finalidade de disponibiliza-las para a nobreza. Além disso, dentro dos engenhos já havia uma divisão bem visível da casa grande, local onde o senhor de engenho e sua família moravam, e senzala, ambiente que os escravos residiam. Nessa perspectiva, a construção do povo brasileiro foi marginalizador, tanto na diferenciação do branco e do negro, como na do brasileiro e na nobreza lusitana. Dessa forma, a segregação existente é produto de uma ideia de superioridade de certos estratos sociais frente outros,fundamentadas durante o decorrer do tempo, bem como, infelizmente, enraizada na mentalidade social.

A posteriori, o choque entre realidades diferentes é fundamental para o desenvolvimento de um corpo social.No entanto, a sociedade brasileira vive um processo chamado de camarotização, ou melhor, a formação de locais, como as  escolas privadas e entre outros ambientes, que somente o grupo abastado da sociedade pode desfrutar.Nesse sentido, sujeitos privilegiados vivem “encapsulado”  apenas a sua realidade,logo, alguns termos, como meritocracia, começam a fazer sentido, porém, não passam de uma ilusão proposital para fundamentar o abismo existente entre as classes sociais. Sendo assim, quando um cidadão opulento chega nas posições altas de detenção do poder, poucas políticas públicas são criadas por ele, pois a realidade que ele vive não permite enxergar as mazelas da sociedade e, por isso, consente com  segregação das classes sociais, mesmo que involuntariamente.

Em síntese, a segregação das classes sociais é um problema histórico que dificulta a melhora da sociedade. Deste jeito, o Ministério da Educação deve trazer para a Base Comum Curricular alguns dias do ano, que podem ser chamados de “momento da interação”,em que alunos de escolas públicas e privadas encontrem-se e haja esse convívio por meio de jogos e debates. Para que, assim, sujeitos privilegiados e não possam visualizar mais que suas realidades.