Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)
Enviada em 28/11/2019
No decorrer da Idade Média, os senhores feudais residiam em torres sofisticadas no centro da demarcação de suas propriedades, enquanto que seus empregados, menos favorecidos financeiramente, moravam na periferia dos territórios. Partindo desse cenário segregador, é possível compará-lo ao Brasil atual, um país no qual houve a intensificação da separação do estilo de vida e do espaço frequentado pelas diferentes classes sociais. Nesse sentido, é relevante discutir as causas desse fenômeno, assim como seus efeitos na sociedade.
Em uma análise inicial, para entender as origens desse entrave, cabe considerar que, desde a consolidação do sistema capitalista, o corpo social associou a concepção de realização pessoal à satisfação dos desejos representados pelo consumo. Frente a isso, os grupos mais abastados economicamente construíram uma hierarquia simbólica, na qual eles tentam demonstrar sua superioridade por meio de possessões que os diferenciam dos demais cidadãos. Além disso, verifica-se uma discriminação contra as pessoas desprovidas de capital, pois tornou-se recorrente associar, por exemplo, os habitantes de favelas à violência e ao crime, o que reforça a segregação de classes no Brasil.
Diante desse quadro, os indivíduos com maior poder aquisitivo se distanciam voluntariamente dos demais, fato que se concretiza pelo crescimento dos enclaves fortificados, os quais são caracterizados por apresentarem construções que transmitem a noção de segurança ao promoverem uma acessibilidade seletiva. Essa atitude, no entanto, reforça e naturaliza o preconceito contra as outras classes, na medida em que é uma concretização explícita da ideia de que a segregação desses grupos proporciona menos violência. Logo, é possível vincular esse cenário ao conceito de ‘‘poder simbólico’’, do sociólogo Pierre Bourdieu, segundo o qual essa forma de distinção é inerente à discriminação e, simultaneamente, é normalizada pela população, que vê tal injustiça como um acontecimento normal.
Portanto, tendo em vista que as origens da separação das classes sociais brasileiras esão relacionadas à consolidação do sistema capitalista e, analogamente, que esse processo é sustentado pelo grupo mais favorecido dessa estrutura econômica, infere-se que há uma tendência na perpetuação desse quadro. Assim sendo, a fim de tornar o Brasil um país mais igualitário e respeitoso às diversas posições sociais, é necessário que o Estado invista em políticas públicas que visem a desconstruir o preconceito vigente contra os indivíduos de baixa renda, contribuindo, assim, para amenizar tal segregação no país.