Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)

Enviada em 28/08/2019

Muros invisíveis

Na obra “O cortiço”, o autor Aluísio de Azevedo evidenciou o processo de modernização da cidade do Rio de Janeiro, em 1902, liderado por Pereira Passos, ao qual se caracterizou pela campanha “bota-baixo”, com a destruição dos cortiços e o desalojamento das camadas populares para as periferias. Analogamente, o reflexo da marginalização citado se faz presente nos dias atuais e vem se tornando cada vez mais intenso.

Convém ressaltar, a princípio, que paradigmas antigos desencadearam a segregação de classes. Na época em que o açúcar era a base da economia no Brasil, o tráfico negreiro promovido pelos portugueses formou uma sociedade heterogênea, separada em Casa Grande para as famílias brancas e ricas, e Senzala, para os negros e escravos. Hoje, isso é exemplificado, por exemplo, através de dados do IBGE do senso de 2000 e 2010, que mostraram que brancos de alta renda moram em locais distantes e distintos dos negros, de mesma condição financeira, que tendem a ocupar as regiões periféricas.

Como conseguinte, mesmo que a telecomunicação e as tecnologias facilitem a interação social, a parcela com menor poder aquisitivo e de etnias que, culturalmente, sofrem um maior preconceito, acabam se sentindo inferiorizadas, como os escravos no Período Colonial. Logo, da mesma forma que o período histórico citado, as pessoas evitam interagir com outras, devido a uma relação falsa de superioridade. Desse modo, aflora cada vez mais os problemas como a desigualdade social, o desrespeito as diferenças e aos semelhantes, impedindo o bom funcionamento da comunidade.

Portanto, para mitigar esse problema, é preciso haver intervenção eficaz do Poder Público. Sendo assim, o Estado, na pessoa do Poder Legislativo, deve criar projetos específicos de para as periferias, como por exemplo, a melhoria das condições básicas de vida, bem como a promoção de eventos culturais e sociais à população. Com efeito, as necessidades serão sanadas, o que proporcionará melhores condições de vida, lazer, saúde e segurança aos moradores dessas regiões. Dessa forma, essas medidas têm a finalidade de assegurar o rompimento do fenômeno de segregação e o pensamento arcaico de inferioridade.