Sedentarismo: o grande mal do século?

Enviada em 01/11/2017

Ao longo do processo de desenvolvimento do Estado nacional, a dinâmica ideológica aqui disseminada foi a da exaltação das culturas estrangeiras, em que a apropriação dos valores por elas transmitidos permeava grandemente as relações sociais. Com isso, é observada a problemática do sedentarismo, que se encontra intrinsecamente ligada ao “modus vivedi” da contemporaneidade, seja pelo descaso governamental, permitindo excessiva importação de determinados comportamentos degradantes, seja como consequência do sistema econômico presente no país, que condena e oprime.

É inegável que a cultura de massas constituída foi e permanece marcadamente influenciada pelos ditames estrangeiros. Segundo George Santayna, o povo que desconhece sua história está condenado a repeti-la. De acordo com esse pensamento, é observável que a realidade hodierna dialoga com a problemática na medida em que, se no passado eram aceitas discriminações, hoje é aceito o modo de vida do consumo excessivo, do exagero na quantidade de alimentos açucarados e  gordurosos, e que não é seguido por medidas que visam contrabalancear tais hábitos devastadores, contribuindo para a consolidação do sedentarismo. Dessa forma, evidencia-se a importância de práticas de regulamentação como forma de combate à problemática e aos malefícios por ela introduzidos na pós-modernidade.

Todavia,  destaca-se o fato do problema em voga ser simultâneo à fome, miséria e mendicância no país, demonstrando a desigualdade de distribuição de riqueza, informação e poder entre a população como questões igualmente intensas e preponderantes. Consoante Marx, em seu conceito de materialismo histórico, o modo de produção da sociedade irá influenciar o comportamento daqueles inseridos na mesma, e isso explicita a atenção gigantesca voltada ao sedentarismo: é um problema principalmente das classes médias e altas, que ignoram, constantemente, as incontáveis agruras impostas aos mais pobres. Assim, a problemática é parte de um conjunto maior de males do século.

Entende-se, portanto, que a presença do sedentarismo na sociedade brasileira está relacionada tanto ao imperialismo ideológico das nações desenvolvidas quanto a problemas estruturais, evidenciando outras desigualdades e complicações na atualidade. A fim de atenuar a problemática, cabe ao Ministério da Cultura a adoção de maior produção de material que dialogue com a importância de hábitos saudáveis de alimentação e comportamento, em programações. Ademais, é dever do Governo Federal, associado ao Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária e a emissoras televisivas, a criação de políticas de censura a programações que façam apologia ao modo de vida sedentário, repercutindo sobretudo na mentalidade das gerações mais novas. Desse modo, espera-se a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos e diminuição das imposições culturais estrangeiras.