Sedentarismo: o grande mal do século?

Enviada em 15/10/2022

“O amor por princípio, a ordem por base; o progresso por fim”. Esse lema, formulado pelo filósofo francês Auguste Comte, inspirou a frase “Ordem e Progresso” exposta na bandeira nacional. No entanto, o cenário desafiador vivenciado no Brasil representa uma antítese à máxima do símbolo pátrio, uma vez que o sedentarismo - grave obstáculo a ser enfrentado pela sociedade – resulta na desordem e no retrocesso do desenvolvimento social, que persiste, em virtude da falta de debate e da insuficiência legislativa.

A princípio, o problema encontra terra fértil na falta de debate. Assim sendo, Jürgen Habermas traz uma contribuição relevante ao defender que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Desse modo, para que um óbice como esse seja resolvido, faz-se necessária a discussão sobre ele, já que o diálogo cria base para solução e colaboração de problemas como o sedentarismo. No entanto, percebe-se uma lacuna no que se refere à questão, que ainda é muito silenciada.

Em segunda análise, é indubitável, nesse contexto, que a questão da insuficiência legislativa esteja entre as causas do problema. Conforme Thomas Jefferson, a aplicação das leis é mais importante que a sua elaboração. Então, a perspectiva do filósofo aponta para uma falha muito comum das sociedades: acreditar que a criação da lei - como as que promovem ações que combatem o sedentarismo, estimulando o exercício físico - seja suficiente para resolver problemas complexos como esse. Assim, o que se verifica é uma insuficiência da legislação, se esta não vier atrelada à políticas públicas que ajam na base cultural do problema.

Logo, medidas estratégicas são necessárias para a mudança no cenário. Como solução, é preciso que as escolas, em parceria com as prefeituras, promovam, no ambiente escolar, um espaço para debates sobre o sedentarismo. Esses encontros podem ocorrer no período extraclasse, contando com a presença dos professores e convidados especialistas no assunto. Ainda, tais eventos não devem se limitar aos alunos, mas serem abertos à comunidade, a fim de que mais pessoas compreendam questões relativas a esse mal, e se tornem cidadãos.