Sedentarismo: o grande mal do século?

Enviada em 01/10/2017

No Pós-Primeira Guerra Mundial, os Estados Unidos passaram a exportar o “American Way Of Life”, que estimulava o consumo de produtos industrializados, entre eles os automóveis, como meio para se alcançar a felicidade. No decorrer do século XXI, o modelo urbano passa a encorajar o uso cada vez mais excessivo do carro, que aliado a outros fatores, contribui para a inatividade do indivíduo, conduzindo-o a um estilo sedentário. Nesse sentido, o sedentarismo é induzido pelo próprio padrão de vida da sociedade, o que implica no aumento dessa problemática e de suas conseqüências.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 46% dos adultos brasileiros são sedentários. Essa condição caracteriza-se pela inexistência de atividade física, o que resulta na diminuição do gasto de calorias semanais com tarefas ocupacionais. Nesse viés, o homem pós-moderno – eficiente produtivo e flexível – se depara com a falta de tempo para cuidar de si, em razão do modo de vida acelerado dos grandes centros urbanos. Sob tal aspecto, o progresso tecnológico, que incorporou ao mundo invenções que modificaram as atividades humanas, também favoreceu o sedentarismo, ao impulsionar a comodidade. Com efeito, o estilo sedentário impele seus adeptos ao consumismo, direcionando, com seu fluxo incessante de publicidade, práticas alimentares da população para o consumo exagerado, fato que aumenta o número de obesos.

Outrossim, aliado a uma alimentação desequilibrada – rica em carboidratos e gorduras –, o sedentarismo desencadeia doenças graves, como diabetes e problemas cardiovasculares, circulatórios e respiratórios. Por conseguinte, as filas para o tratamento dessas patologias, no sistema público de saúde, ficam congestionadas. Diante do número crescente de pessoas que preservam maus hábitos de vida, o país passa a enfrentar dificuldades financeiras na gestão do problema, que ainda pode se agravar caso medidas não sejam tomadas.

Torna-se evidente, portanto, que medidas são necessárias para resolver o impasse. Por essa razão, cabe ao Ministério da Educação implantar projetos educativos nas escolas, por meio de programas de incentivo a ação esportiva entre crianças e adolescentes. Além disso, a Mídia deve, mediante campanhas informativas, alertar a população sobre a necessidade da prática de atividades físicas e de uma alimentação equilibrada para manutenção de uma vida próspera e saudável. Ademais, a família e a comunidade têm um papel fundamental para incentivar um estilo de vida ativo, despertando o indivíduo, desde cedo, para a prática regular de esportes e tarefas que exigem movimento. Em suma, como afirmou David Hume: “o hábito é o grande guia da vida humana”.