Sedentarismo: o grande mal do século?

Enviada em 02/01/2021

A obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, retrata uma esfera social ideal, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e obstáculos. Entretanto, no panorama vigente, é observável a anulação dos princípios reverberados por More, uma vez que a sociedade enfrenta o sedentarismo como grande mal do século. Nesse sentido, convém uma análise tanto do setor da informação midiática quanto da falta de motivação pessoal. Desse modo, faz-se necessário apresentar as vertentes que englobam o fenômeno no século XXI, a fim de elaborar medidas que possam mitigá-lo.

Em primeiro plano, Theodor Adorno- sociólogo alemão- disserta sobre a chamada “Indústria Cultural”, que designa o conjunto de estratégias empresariais capazes de influenciar a conduta cidadã. Nesse ínterim, o setor da produção midiática tem sido materializado na conjuntura hodierna de modo negativo, haja vista que ocorre a perpetuação da lógica exposta por Adorno, causando a elevação da imobilidade na vida dos indivíduos. Isto é, o alto contato com plataformas informativas que visam o lucro permite a persuasão alimentar, proporcionada por propagandas televisivas, as quais nutrem um hábito alimentar embasado no consumo imprudente de produtos processados e, consequentemente, na eliminação de um ideal de vida saudável. Com efeito, é fulcral pontuar que o vilão do século está presente em mais de 60% da população mundial, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Em segundo plano, consoante a lei da inércia, de Isaac Newton, um corpo parado tende a permanecer intacto a menos que uma força atue sobre o mesmo; essa força é análoga a motivação, sem ela o sedentarismo aumenta, sobretudo em escolas, posto que muitos alunos não se adequam aos atuais métodos de ensino da educação física. Comprova-se esse fato na ideia de retirar da grade curricular do ensino médio a matéria, fato que contribuiria para a sedentarização de jovens. Por conseguinte, infere-se que a ausência de esportes corrobora problemas de saúde aos cidadãos, em razão não só do aumento dos níveis de colesterol e triglicerídeos, mas também do infarto do miocárdio.

Evidencia-se, portanto, que medidas devem ser tomadas com o objetivo de combater o sedentarismo em território pátrio. Para isso, o Ministério da Saúde deve, por intermédio de verbas governamentais, criar programas preventivos para intervir em crianças e adultos que possuem pré-disposição à inatividade física nos postos de saúde e em jornais televisivos, com a finalidade de orientar e estimular um ideal de vida saudável, contrapondo o paradigma em questão. Em adição, cabe às escolas o compromisso com o incentivo dos alunos na prática de esportes, por meio de profissionais competentes, de maneira que impulsione o desenvolvimento pessoal do estudante. Por fim, haverá um ambiente equilibrado nos parâmetros de More.