Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 03/11/2021
O filme “Ilha do Medo” do diretor Martin Scorsese, narra a história do detetive Teddy Daniels e seu parceiro, que são levados a investigar a fuga de uma paciente da prisão psiquiátrica Ashecliffe, escondida em uma ilha remota. O filme possui grandes “Plot Twists", onde no final descobrimos que o detetive é apenas uma criação da cabeça de Andrew Laeddis, um assassino vivendo um Alter Ego. A excessiva cobrança por produtividade, principalmente pelos próprios indivíduos, causam uma negligência à cultura do autocuidado e uma depreciação a saúde mental da população.
Diante desse panorama, é possível observar que a fragilidade das relações interpessoais tem sido gerada a partir da acelerada evolução tecnológica. Com toda a complexidade da sociedade moderna, ao mesmo tempo em que houve uma conexão maior de pessoas, ocorreu também, um afastamento dessas. A afirmação do sociólogo polonês Zygmunt Bauman reflete sobre isso “Estamos todos numa solidão e numa multidão ao mesmo tempo”, esse cenário causa um sentimento de solidão, ocasionando a desestabilidade mental dos seres. Ou seja, o declive do equilíbrio mental se sucedeu da “Hiperconectividade”.
Ainda sob a mesma ótica, a grande competitividade entre os indivíduos acarreta na ausência do autocuidado. O homem se prendeu em convenções sociais, onde os indivíduos desconsideram seus próprios traços e particularidades, para serem aceitos pelos padrões criados pela sociedade, depreciando o autoconhecimento. De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), mais de 322 milhões de pessoas sofrem com a depressão, sendo considerada a doença do século. Em um mundo onde a superação da concorrência e a produtividade são prioridades, o desprestígio do autocuidado trás como consequência, o aumento de doenças psicológicas.
Em síntese, a ausência da homeostase psicológica mostra que medidas são imprescindíveis para a resolução dessa problemática. Sugere-se que o Ministério da Educação, realize um projeto de conscientização nas escolas públicas e privadas, com palestras e debates sobre os improcedentes conceitos associados à saúde mental. O incentivo a busca a terapias e a profissionais também deveria ser evidenciado. Dessa forma, é esperado que os indivíduos não se descuidem, podendo assim, ser possível que a saúde mental seja de fato vista como fundamental.