Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 18/09/2021
O filme “Sociedade dos poetas mortos” narra os dilemas um grupo de jovens em relação ao amor, à pressão parental, ao autoconhecimento e à escolha profissional. Tal trama se encerra com o suicídio de um dos personagens, e, aproximando-se da atualidade, esse também é o final da história de muitas pessoas, já que, no século 21, os casos de depressão e ansiedade apenas crescem. Esse é um sintoma, entre outros, do ambiente competitivo das redes sociais e dos desdobramentos das crises econômicas. Nesse sentido, a preservação da saúde mental coloca-se em pauta.
Inicialmente, destaca-se que a era das redes digitais é responsável por criar uma massa de pessoas insatisfeitas e doentes devido à busca pela perfeição. Nesse sentido, isso se deve à dinâmica do meio digital que permite aos usuários selecionar o que se compartilha a dedo, criando uma realidade falsa, na qual todos são felizes e atendem aos padrões. Tal cenário é evidenciado no documentário ‘‘O dilema das redes" que discute as problemáricas dessa tecnologia e aponta o crescimento dos casos de depressão e suicídio entre adolescentes, após o advendo das redes sociais. Assim, nota-se como esse ambiente competitivo é responsável por frustar e prejudicar a saúde mental daqueles que não alcançam a atenção e a aprovação estimada, representadas por números de seguidores ou curtidas, por exemplo.
Por outro lado, o estresse e a insegurança, advindos das recentes e grandes crises socioeconômicas, também podem suscitar transtornos na população. Deveras, o desemprego, a insegurança alimentar, a falta de moradia, a precariedade do ensino e do sistema de saúde vulnerabilizam grupos já oprimidos, como grupos indígenas e periféricos. Além disso, esse contexto propicia violência e desgaste emocional, o que se soma ao escasso acesso ao acompanhamento psicológico da maioria. Assim, utilizando o pensamento do economista Naci Mocan, o qual defende que os grupos vulneráveis são os mais afetados nas crises, percebe-se que medidas, como políticas públicas, são necesárias para protegê-los.
Tendo em vista tal problemática, cabe às Secretarias de Saúde dos municípios, ao redor do Brasil, oferecer assistência e tratamento psicológico aos grupos mais vulneráveis. Tal ação deve ocorrer por meio de centros públicos de saúde mental direcionadas a comunidade e que contêm, por exemplo, com o atendimento gratuito e com grupos de acolhimento supervisionados por profissionais. A finalidade dessa proposta é proporcionar oportunidades de prevenção e de cura a quem mais é afetado e menos pode arcar com os custos.