Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 22/09/2020
Hodiernamente, sobretudo no contexto brasileiro, muito se discute acerca da saúde mental e da importância do autocuidado. Diante de tal cenário, e em virtude tanto da mercantilização do sistema de saúde quanto de padrões socialmente impostos, constata-se que se trata de uma temática que assola o cotidiano pós-moderno e urge por mudanças imediatas na forma como é encarada pela sociedade como um todo.
De início, é válido salientar que, segundo a OMS, são registrados cerca de 12 mil casos de suicídio todos os anos no Brasil, e mais de 1 milhão em todo o mundo. Nesse contexto, diversos fatores, como a precarização dos sistemas de saúde e educação e as longas jornadas de trabalho, refletem diretamente na estabilidade mental da população, especialmente no que diz respeito às classes menos abastadas e marginalizadas pela sociedade, e no desenvolvimento de enfermidades e do sofrimento psíquico.
Outrossim, é indubitável que os padrões impostos pela sociedade, enraizado nas mídias, nas instituições e círculos sociais, refletem diretamente no que concerne a pressão estética e negligência da saúde mental. Sob tal ótica, essa realidade destaca que a idealização e desconsideração da diversidade tornam esse padrão opressor, influenciando diretamente na insatisfação pessoal com a estrutura corporal e baixa autoestima, podendo desencadear traumas e doenças em consequência da omissão do autocuidado.
Em suma, é notório que medidas são necessárias para solucionar tais problemáticas. Para tal, é imperioso que o Poder Público, em todas as suas instâncias, estabeleça políticas públicas que garantam um sistema de saúde 100% público, gratuito e inclusivo, e que assegurem, através de ações afirmativas e programas sociais, a educação, cultura e lazer como direitos universais. Ademais, cabe ao Governo Federal promova, através da pedagogia e dos veículos de mídia, a desconstrução de padrões e rótulos socialmente impostos, ressaltando a importância do autocuidado com mente, além de garantir o acesso à terapia e profissionais da área de forma acessível. Apenas por esse caminho é possível causar mudanças na sociedade, de maneira a prezar pela vida e pelo cuidado com a mente de maneira universal e inclusiva.