Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado

Enviada em 21/09/2020

O episódio ocorrido em 1929 da quebra da Bolsa de Valores de Nova York provocou o suicídio de pessoas que, do dia para noite, perderam tudo o que tinham. Nesse contexto, uma forma de conservar a saúde mental em tempos de crise é, sem dúvidas, cultivar a cultura do autocuidado, a qual é pouco disseminada, sendo imperiosa a ampliação de medidas a fim de amenizar os impactos ocasionados por esse cenário. Para tanto, deve-se entender os limites do corpo mediante a rotina de trabalho, bem como saber dosar conteúdos e relacionamentos maléficos ao indivíduo.

Em princípio, vale dizer que, atualmente, vive-se uma época em que produzir e consumir superam o amor a própria vida, no que diz respeito a saúde mental. Nesse sentido, na medida em que o discurso da “produtividade diária” extrapola os limites humanos, tanto físicos quanto psicológicos, as pessoas perdem a saúde pelo trabalho em excesso. Consoante ao filósofo Karl Marx em seu conceito sobre o fetiche da mercadoria, o trabalhador é objetificado em detrimento da mercadoria, a qual é personificada. Essa inversão de valores demonstra a importância da manutenção de uma mente saudável, de forma a humanizar o trabalhador. Além disso, a saúde mental do sujeito ressoa aspectos significativos da sociedade como um todo, como no caso da quebra da Bolsa de Valores, sendo um indicativo social considerável.

Outrossim, deve-se ponderar o fato de o autocuidado ir muito além de um conceito meramente estético. Nesse âmbito, privar-se de informações espetacularizadas pelas mídias digitais, o hábito de fazer terapia e cultivar bons relacionamentos, constituem formas essenciais de cuidar de si. Paralelo a isso, o filósofo Zygmunt Bauman descreve como as relações via mídias sociais tornaram-se líquidas, ao passo em que não conseguem criar laços fixos, e acabam por promover interações nocivas ao sujeito. Logo, garantir o autocuidado ultrapassa a cultura imposta hoje pela internet, e afirmá-lo é também uma forma de manter-se menos alienado ao mundo virtual e mais conectado a si.

Em síntese, medidas devem ser efetivadas a fim de estimular a cultura do autocuidado na sociedade contemporânea. Dessa forma, as grandes empresas devem incentivar o acompanhamento psicológico de seus funcionários - os quais se sintam pressionados com a rotina  - com vistas a cuidar da saúde mental e aumentar a qualidade de vida do indivíduo. Mas também, o sujeito deve agir de forma ativa a partir do filtro conteúdos, relacionamentos e cultivando hábitos saudáveis - alimentação, prática de atividade física, e aquisição do costume de consultar o médico, por exemplo. Desse modo, garantir-se-á que episódios como os suicídios de 1929 não se repitam, firmando assim, um dos mais importantes pilares da vida: o amor próprio.