Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado

Enviada em 01/09/2020

Promulgada em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos assegura a todos os indivíduos o direito à saúde, à dignidade e ao bem-estar. Entretanto, devido à celeridade da vida cotidiana e à exacerbada preocupação com as obrigações diárias, como carreira e finanças, muitas pessoas têm preterido as práticas de autocuidado, fator que prejudica o exercício dos bens jurídicos tutelados no referido documento internacional. Dessa feita, cabe ao Estado intervir estrategicamente, de modo a difundir entre a população conhecimentos acerca da importância do cuidado com a saúde mental e capacitar o Sistema Único de Saúde (SUS) para atender as demandas inerentes à problemática.

Em princípio, sabe-se que a saúde psicológica é questão essencial a ser priorizada na busca pela homeostase (equilíbrio interno) individual. A partir disso, torna-se preocupante o fato de que, segundo estudo recente da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o país com o maior número de deprimidos da América Latina, com mais de doze milhões de casos computados. Dentre as possíveis causas, merece destaque o conceito de “Sociedade do Desempenho”, do filósofo coreano Byung-Chul Han, o qual versa sobre a pressão social que incide sobre os indivíduos e os colocam em uma busca incessante pela alta performance, fator que pode ser intensamente desgastante no longo prazo.

Em segundo plano, infere-se que o Estado é o agente instituído como responsável por zelar pela saúde da população. Isso posto, vale retomar a analogia proferida pelo artista italiano Leonardo da Vinci, a qual diz que o sol jamais enxergará a sombra, por serem incompatíveis. Nesse ensejo, pode-se comparar o brilho solar ao esforço governamental, financeiro e normativo, envidado na capacitação do SUS para orientar a sociedade sobre as práticas do autocuidado e combater os números alarmantes de comorbidades psiquiátricas da atualidade. Dessa forma, a sombra, ou “status quo” (estado atual), cederá espaço para que a luz irradie com maior intensidade.

Dessarte, depreende-se que o governo e a sociedade têm papel a cumprir no ajuste do cenário descrito. Logo, cabe ao Legislativo a abertura de comissão permanente que atue de forma contínua no estudo da causa sanitária no país. Para isso, deverão ser convocados médicos, psicólogos e demais profissionais da área social que possam contribuir com as demandas em plenário. O objetivo da comissão será alcançado à medida que que o tratamento igualitário de saúde mental se estender pelos diversos estados e municípios do país, de forma a conscientizar a população acerca das práticas a serem cultivadas e tratar os casos existentes de maneira responsável e efetiva. Assim, gradualmente, o país superará a crise e rumará, positivamente, à ordem e ao progresso, no que tange o assunto.