Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado

Enviada em 30/08/2020

Em meados das últimas décadas, a escritora J. K. Rowling transpassou ao mundo a experiência desfigurante da depressão, que na mesma esteira das demais patologias mentais, foram alcunhadas pela Organização Mundial da Saúde como potenciais doenças que mais incapacitarão a sociedade. Segue assim um avultar de assomos do descuido com a saúde mental, exortando uma panaceia.

Desse norte, ao perlustrar a atmosfera brasileira, denota-se a hecatombe da dicção expressa na Carta Constitucional, e o engendramento do suplício mental, posto as ininterruptas violações aos direitos fundamentais. Em face da engrenagem de subsistência salarial, obstaculiza-se o desenvolvimento profissional, social e intelectual, depurando da população paupérrima o mínimo existencial, como registrou o historiador José Murilo de Carvalho, e versou o poeta Carlos Eduardo Taddeo, “No Brasil sua cor e padrão econômico definem sua expectativa de vida e os direitos que você tem acesso”.

Ademais, a experiência romana tinha esculpido em um de seus preceitos, amalgamada da filosofia aristotélica, a assertiva de “honeste vivere” que se traduz por viver coerentemente com a sua natureza, assegurar uma alimentação adequada, saúde e lazer, assim abrolhou a cidade eterna. Contudo, os herdeiros da latinidade vivem em acentuada dessemelhança, sem a prática de atividade física e comendo exageradamente alimentos nocivos à saúde, que por conseguinte, linda o nosso espírito, não assustando os 18,6 milhões de brasileiros que segundo o telejornal Conexasaude estão em quadro patológico.

Tateando o desnudado, urge mudanças. Dessa borda, compete ao Ministério da Saúde em consonância ao Poder legislativo o desenvolvimento de campanhas publicitárias e de projeto de lei que estimule a preservação de bons hábitos de saúde e amplie os programas de alimentação saudável e gratuita, para que seja reduzida o descompasso com o preceito romano. Da mesma maneira, cabe ao Ministério da Educação em junção com às prefeituras, a criação de programas educacionais aplicados nas escolas, que visem preencher as lacunas da privação educacional e incute a preservação mental. Dessa forma, a chaga exprimida por J. K. Rowling pode ser reduzida, e o retrato de José Murilo de Carvalho e Eduardo Taddeo sucumbirem a história, concatenando um progresso social, profissional e intelectual.