Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 31/08/2020
A Organização Mundial da Saúde (OMS) foi criada após o fim da Segunda Guerra Mundial com o objetivo de cuidar da saúde global e foi a primeira instituição que considerou a saúde mental, tão importante quanto a saúde do corpo. Nesse contexto, o autocuidado, principalmente relacionado com a manutenção da sanidade psicológica, emergiu como meio essencial para a promoção do bem-estar; porém, tanto as incertezas quanto ao futuro, como a carência de instruções sobre esse tema, são fatores que contribuem para a formação de uma sociedade que não prioriza a saúde.
Em primeira análise, convém destacar que o mundo globalizado gerou muitas dúvidas a população sobre o futuro. Essa teoria é explicada pelo sociólogo Zygmunt Bauman que associa as mudanças que estão ocorrendo, com a sensação de perda de controle sobre os processos. Nesse âmbito, o temor do desemprego, por exemplo, gera incertezas que podem induzir quadros depressivos e motivar o uso de medicamentos como uma maneira paliativa de amenizar o sofrimento. Essa conjuntura ocorre pois a cultura do autocuidado é pouco recorrente na sociedade, uma vez que a prática não é incentivada. Nesse contexto, a utilização de metodologias mais saudáveis para a manutenção da sanidade psicológica, como a prática de atividade física, promove naturalmente uma sensação de bem-estar e é considerada uma atitude de autocuidado muito eficiente para manter corpo e mente saudáveis.
Ademais, a saúde mental e o autocuidado não são priorizados na sociedade brasileira, principalmente pela escassez de incentivos por parte das instituições formadoras de opinião. Nesse sentido, segundo dados divulgados pela OMS, 5,8% da população brasileira sofre de depressão. Esse dado se torna ainda mais alarmante por ser, na maioria das vezes, subnotificado, de acordo com a mesma pesquisa supracitada. Esse cenário é resultado do estigma do preconceito que cerca os transtornos mentais, já que pouco é dialogado sobre essa temática nas escolas e residências. Assim, a falta de informação acentua a discriminação e contribui para o aumento de casos não notificados da depressão. Nesse panorama, a falta de conhecimento e a não estimulação da prática do autocuidado são fatores responsáveis pela redução do bem-estar social.
Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. O Ministério da Saúde, em parceria com as escolas dos municípios, deverá propor a modificação dos currículos escolares, por meio da inserção de disciplinas que abordem temas como saúde mental e formas de autocuidado. Essa ação também incluirá palestras de profissionais e terá a finalidade de informar os estudantes sobre maneiras de promoção do bem-estar e desestigmatizar a depressão. Espera-se, com isso, instaurar a cultura do autocuidado e a promoção da saúde mental entre a população.