Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado

Enviada em 04/09/2020

Na informática percebe-se que o processador, um dos principais constituintes do computador, calcula e realiza os comandos determinados pelo usuário que em sintonia com outras peças fazem a máquina operar, mas se a CPU apresentar alguma irregularidade todo o sistema é afetado. De mesmo modo a mente humana necessita estar saudável para o funcionamento adequado do corpo, nesse sentido estabelece-se a importância de se manter hábitos de cuidado próprio. Contudo, é flagrante a negligência ao se tratar de tal tema devido a aceleração das atividades diárias e a desinformação.

É sabido, que introduzir métodos de zelo pessoal no cotidiano é difícil em virtude do aglomerado de tarefas que necessitam ser realizadas rapidamente. Nesse contexto surge a “Doença da Pressa” conceituada pelos cardiologistas Meyer Friedman e Ray Rosenman, da qual os enfermos estão em movimento constante e acelerado para cumprir todas as atividades estipuladas dentro do menor período possível até mesmo quando não se faz necessário. Consequentemente, eles não encontram tempo hábil para práticas de preservação físico-mental como: preparação de refeições saudáveis; prática de atividades físicas; momentos de lazer; conversas descontraídas; reflexão sobre seus sentimentos, planos e necessidades. Assim percebe-se que períodos destinados a se autocuidar não são desperdiçados, pois segundo Bertrand Russell o tempo que faz alguém se sentir bem quando perde não é tempo perdido.                Paralelamente, constata-se que a lacuna reservada à conscientização, quando não é preenchida por essa, passa a ser ocupada pela ignorância. De maneira análoga quando a população desconhece a magnitude da preservação da cognição para o seu bem-estar a despreza e isso se espelha no físico do sujeito, conforme proposto pela médica Esther Sternberg no livro “The Balance Within: The Science Connecting Health and Emotions”, os problemas na mente fragilizam o sistema imunológico e favorecem a sucessão de doenças. Além disso, os próprios transtornos mentais prejudicam o sono e o trabalho dos afetados consoante a previsão da OMS (Organização Mundial da Saúde) de que a depressão, um tipo de psicopatologia, será a doença mais incapacitante em todo mundo até 2020. Nesse sentido, infere-se que a inserção de atitudes que visem o conforto particular é fundamental para a manutenção do intelectual.

Portanto, é imprescindível buscar promover a relevância da cautela privativa para o psíquico. Nessa lógica, é imperativo a parceria entre o Ministério da Educação e o Ministério da Saúde para inclusão de projetos nas escolas, que valorizem a saúde mental, o autocuidado e metodologias organizacionais que auxiliem na aquisição da cultura de se reservar momentos para velar por de si mesmo, por meio de materiais lúdicos, dinâmicas pedagógicas, palestras e debates. Para que se tenha cidadãos com mais vitalidade, a fim de que “CPU” e todo organismo humano atuem devidamente.