Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 27/08/2020
Na obra “Utopia”, do escritor Thomas More, encontra-se o detalhamento de uma ilha, constituída por cinquenta e quatro cidades, que funcionava de forma perfeita e, assim, os utopianos, como eram chamados os habitantes desse local, desfrutavam de uma felicidade permanente. No entanto, nota-se que a realidade não contempla a civilização ideal ilustrada por More, tanto que, nota-se uma sociedade que negligencia a saúde mental e a importância do autocuidado do cidadão. Isso é fruto da postura do sistema escolar, mas também pelo modo de trabalho no corpo social.
Em primeiro lugar, conforme o filósofo Immanuel Kant, o ser humano é aquilo que a educação faz dele. Sob tal prisma, compreende-se que a escola deveria ser este espaço propício para o desenvolvimento de uma mentalidade que busca uma saúde, a qual engloba as diversas áreas que compõe o indivíduo. Nesse sentido, ao analisar o crescimento dos transtornos mentais, por exemplo, no tecido social, percebe-se uma instituição que distorcei-a a sua função, decorrente, principalmente, de um ensino tecnicista que sobrepõe ao socioemocional. Desse modo, construí cidadãos que negligenciam o autoconhecimento e o autocuidado.
Ademais, outra problemática se assenta no modo de trabalho da sociedade. Nessa perspectiva, a pintora modernista, Tarsila do Amaral, já apresentou essa tônica em sua tela “Operários”, uma vez que essa contém cinquenta e um rostos de trabalhadores, que apesar das diversidades étnicas existente entre eles, nota-se que tais se assemelham pela feição de cansaço e de desesperança. Paralelo a isso, percebe-se, na contemporaneidade, segundo OMS -Organização Mundial da Saúde-, a rotina de estresse presente no trabalho já pode ser considerada como uma doença. Consoante a isso, observa-se a dificuldade de preservar o bem-estar do cidadão em tal quadro.
Logo, é mister que o Estado intervenha nesse contexto. Para tanto, cabe a esse, mediante repasse de verbas governamentais, traçar políticas públicas, a fim de valorizar, no tecido social, a saúde mental e o autocuidado. Nesse viés, tais programas se estruturarão da seguinte forma: o ensino nas instituições escolares ofertará, de forma semanal, ao estudante uma consulta com psicólogos, mas também promoverá palestras com terapeutas, a fim de desenvolver uma educação que valoriza a questão social e emocional do cidadão. Além disso, o terceiro setor, em parceria com a mídia, fomentará propagandas que demonstram os prejuízos, decorrente do modo de trabalho da sociedade, a saúde do indivíduo, com objetivo de despertar a reflexão no corpo social sobre a necessidade de mudar esse modelo econômico. Diante disso, construir-se-á uma população que reverberará os utopianos.