Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado

Enviada em 27/08/2020

Conforme a Organização Mundial de Saúde-OMS, a saúde mental pode ser definida como um estado de bem-estar no qual o indivíduo percebe suas próprias habilidades e consegue lidar com os estresses cotidianos. Entretanto, o quadro de trabalho excessivo aliado a negligência do autoestima representam não apenas uma preocupação quanto a saúde do indivíduo, mas também, um déficit de autonomia nos cuidados primordiais de si próprio, uma vez que os ambos determinantes culminam em contradição frente a declaração da OMS. Nesse contexto, configura-se uma situação alarmante, devido a tensão na esfera biopsicossocial e a falta de percepção nas atividades essenciais.

Em primeira análise, vale ressaltar que o trabalho em demasiado é capaz de alienar o trabalhador e torná-lo uma máquina frente a linha de produção, como proposto por Karl Marx. Nesse sentido, é válido pontuar o sistema econômico presente no Japão, no qual o funcionário é totalmente submisso ao trabalho, dedicando-se ao máximo com longas jornadas de trabalho em prol  de um mesmo intuito: crescimento econômico da nação. Assim, em paralelo ao exposto, reflete-se o drama vivenciado devido ao estresse, falta de tempo destinado aos cuidados pessoais e declínio nos indicadores que estariam presentes em uma pessoa saudável, como o descanso e a tranquilidade cotidiana.

Outrossim, cabe salientar que o enfrentamento desse processo desgastante culmina em índices crescentes de comorbidades mentais. Nesse contexto, é pertinente destacar a Síndrome de Burnout descoberta pelo psicanalista Hebert J., compreendida como um distúrbio emocional e ocasionada pelo esgotamento profissional. Dessa forma, é notória a percepção do quão prejudicial é o desgaste quando se destina a apenas uma função, deixando em segundo plano as atenções básicas de si mesmo e a autonomia na distinção de necessidades sendo ligeiramente substituída pela negligência.

Logo, cabe a Mídia, junto ao Ministério da Saúde solucionarem a atual conjuntura. A primeira, compete dispor de anúncios nas televisões nos horários comerciais, por meio de de vídeos influenciando os telespectadores em busca do autoconhecimento como a prática constante de idas em terapias, para uma melhor vida conciliada entre o pessoal e o profissional. Ademais, cabe ao segundo, dispor de rodas de conversa e palestras em cada comunidade, por meio da ajuda de psicólogos e terapeutas nas unidades básicas de saúde enfatizando as melhorias frente ao acompanhamento de sessões terapêuticas e influenciando a prática regular de exercícios físicos. Para que assim, possam liberar hormônios esquecidos no sistema corrido do mercado de trabalho, aumentando a felicidade e o autoestima para o cuidado do próprio corpo. Dessa forma, atenuar-se-á, os entraves presentes no momento vigente.