Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 26/08/2020
“O pior mal é aquele visto como cotidiano”. A máxima da filósofa alemã Hannah Arendt aponta, de acordo com seus estudos, a indiferença da sociedade frente a certas questões. Nesse contexto, destaca-se o desafio de cuidar da saúde mental com práticas saudáveis cotidianas, que, hodiernamente, tem sido valorizadas cada vez menos pelos brasileiros. Sendo esse um problema que está diretamente relacionado à realidade do país, seja pela negligência governamental, seja pela indiferença social.
A princípio é incontestável que a inoperância governamental esteja entre as causas do problema. Poucas são as políticas públicas que buscam tratar as raízes que desencadeiam problemas de saúde mental, tomando atitudes médicas reativas em detrimento as prevenções. Nesse prisma, de acordo com o filósofo John Locke, configura-se uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função constitucional de proporcionar o direito à vida para população. Decerto, isso se demonstra na pesquisa divulgada pelo CFM, Conselho Federal de Medicina, ao qual informa que o Estado investe apenas R$3,48 por dia na saúde do brasileiro, dando prioridade às internações, demonstrando que o bem-estar do cidadão não é tratado como prioridade.
Outrossim, destaca-se a cultura da ignorância perpetuada por parte da sociedade, que, muitas vezes, devido ao senso comum, não entende os malefícios de não praticar costumeiramente o autocuidado e não busca ajuda especializada para resolver os problemas sérios como maus hábitos alimentares ou até mesmo doenças emocionais. Isso é concordante com o pensamento de A. Schopenhauer de que os limites do campo da visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo que a cerca. Tal fato, pode ser observado na reportagem publicada pelo jornal G1, em 2019, que diz que em 10 anos aumentou 23% o número de pessoas depressivas no Brasil, reflexo do agravamento da ansiedade que poderia ser tratada por meio da terapia.
Diante desse cenário, é mister que o Ministério da Saúde promova práticas públicas de incentivo ao autocuidado promovendo a saúde mental, por meio da ampliação de campanhas de prevenção de doenças, a fim de diminuir os casos de enfermidades psicossomáticas como a depressão, sendo isso necessário para proporcionar mais qualidade de vida para o brasileiro. Além disso, as instituições educacionais devem instigar debates sobre os malefícios da falta de autocuidado, por meio de campanhas de conscientização, para que, gradativamente, esse problema deixe de ser indiferente para a sociedade conforme o pensamento de Hannah Arendt.