Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 17/08/2020
Na obra “A Cidade do Sol”, do escritor italiano Tommaso Campanella, é retratada uma sociedade perfeita, onde o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, posto que a falta de saúde mental da população brasileira apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de Tommaso. Diante disso, cabe analisar tanto o consumismo exagerado quanto ao sedentarismo como fatores desse contexto, a fim de revertê-los.
Em primeiro plano, é valido destacar que o consumo inconsciente pode ser fruto de uma mente conturbada por problemas psicológicos, entre esses a depressão e a ansiedade. Desse modo, o ato para o indivíduo, é visto como uma forma de sobrepor esse vazio relacional em prol da felicidade artificial. Sob essa ótica, de acordo com o livro “Modernidade Líquida”, do sociólogo Zygmunt Bauman, essa ação remete a insatisfação do eu consigo mesmo. Dessa forma, faz-se mister, o combate ao detrimento do ser pelo ter.
Ademais, é notório que a falta de atividades físicas implicam diretamente na relação corpo e mente. Nesse sentido, durante o processo citado, o metabolismo libera substâncias importantes para o funcionamento da mente a exemplo da serotonina, conhecida como hormônio do prazer. Entretanto, o sedentarismo impede que tais elementos sejam utilizados, uma vez que a pessoa encontra-se em comodismo. À vista disso, o aparecimentos de males supracitados, tornam-se frequentes e amplificados pela obesidade. Dessa maneira, é necessária uma reformulação desse quadro.
Urgem, pois, medidas pontuais para sanar esse impasse. Logo, cabe ao Ministério da Educação, em conjunto com o Ministério da Saúde, estabelecer campanhas publicitárias e rodas de conversas nas escolas públicas, tendo como debate a temática voltada para o bem-estar social e o sedentarismo, com a participação de nutrólogos e nutricionistas. Tais ações seriam organizadas pelo Governo, de modo que seja possível oferecer um melhor entendimento sobre o assunto e que desenvolva um olhar mais crítico e humanista sobre o tema. Somente assim, o princípio defendido por Campanella será alcançado.