Riscos de compartilhar mentiras e boatos na internet

Enviada em 21/08/2020

Há séculos, o filósofo racionalista Descartes agregou, na célebre frase “Cogito, ergo sum”, a existência humana à sua capacidade de pensar. Contudo, essa ideia está sendo desfalcada à medida que, na internet, pessoas compartilham informação sem antes refletir sobre ela, desse modo espalhando também, de forma exponencial, conteúdos falsos. Sendo assim, é necessária a criação de medidas com o intuito de controlar o crescimento dessa curva de Fake News.

Em primeiro lugar, as notícias falsas não são um fenômeno recente, mas sim, um antigo método de manipulação. Por exemplo, durante a Contrarreforma, boatos foram responsáveis pela queima e morte por enforcamento de centenas de mulheres inocentes, as quais eram acusadas de praticar bruxaria. Consoante a isso, o caso de Fabiane Maria de Jesus, uma mulher inocente morta, após ser espancada e linchada, devido ao ser confundida com uma suposta sequestradora de crianças, cujo retrato falado e crime circulavam pelas redes socias e eram de uma Fake News. Nesse sentido, é importante perceber a força que uma notícia falsa pode adquirir, e como, quando compartilhada, sem prévia análise, contribui para uma alienação em massa e a geração de novas vítimas.

Ademais, faz-se mister atribuir a redes sociais como o Twitter, Facebook e Whatsapp grande parte da responsabilidade pela rápida e dispersada divulgação dessas noticiais. Observa-se no documentário “Privacidade Hackeada”, o poder que empresas de dados, como a Cambridge Analytica, tem de influenciar eleições apenas por manipular os algoritmos e divulgar Fake News para usuários nas redes sociais, mostrando como essas, na era digital, exercem papel formador fundamental da índole de muitos indivíduos. Por conseguinte, é indubitável afirmar que, devido ao seu potencial de divulgação, as redes sociais tornam-se grandes aliadas de pessoas interessadas em espalhar notícias falsas e influenciar o maior número de pessoas.

Portanto, em virtude dos fatos mencionados, fica claro o carácter aceitador, e não questionador, que a sociedade reproduz, e como após o advento da internet está se tornando ainda mais perigoso. Dessa maneira, o Ministério da Educação, aliado as Câmeras Municipais, deve ensinar sobre os perigos causados pelo uso incorreto das redes sociais e mostrar métodos de melhor identificação de Fake News, a partir da promoção de palestras gratuitas em escolas do ensino fundamental e médio, para responsáveis e alunos, de todo o Brasil, a fim de criar uma geração menos passiva aos conteúdos que recebem. Por fim, esse ciclo de desinformação será cortado e mais pessoas irão refletir e, assim, voltar a existir.