Riscos de compartilhar mentiras e boatos na internet
Enviada em 17/04/2020
No contexto histórico da ‘‘Era Vargas’’, o governante populista chegou ao poder, em 1930, através da disseminação de uma “fake news’’- notícia falsa disseminada nos meios midiáticos. Todavia, mesmo após a passagem de quase um século de história, grande parte dos brasileiros continuam a disseminar notícias falsas e boatos, sobretudo por meio da internet. Nesse sentido, entende-se essa problemática relacionando-a ao baixo poder de discernimento de alguns cidadãos, de modo que o seu combate estará ligado a uma alteração na mentalidade da população e em seus preceitos culturais.
É válido destacar, a princípio, que o baixo poder de discernimento de parte da população brasileira é fator fundante para a ocorrência da problemática em questão. Nesse contexto, por consequência de um processo educacional exposto, pelo pedagogo Paulo Freire, como ‘‘bancário’’- no qual o conhecimento é tão somente depositado nos indivíduos, sem instigá-los à criticidade-, muitas pessoas têm dificuldade de buscar a veracidade das notícias compartilhadas e a credibilidade das fontes divulgadoras, de modo que acabam por espalhá-las, mesmo que, por diversas vezes, contenham um caráter alarmista e distoante da realidade (contextos típicos das fake news), lamentavelmente. Portanto, mostra-se essencial a adoção de medidas que visem a um aguçamento do senso crítico da população, de modo que a disseminação de inverdades e boatos sejam atenuados.
Além disso, seria ingênuo não destacar a atuação de empresas no combate à proliferação desse tipo de conteúdo incoerente no Brasil. Nesse âmbito, é nítido que grandes grupos informacionais, como o Google e a rede Globo, amparados, sobretudo, no Marco Civil da internet- documento que regula o uso da Internet no Brasil por meio da previsão de garantias, direitos e deveres para os usuários-, promovem, de maneira benéfica, incessantes campanhas de conscientização populacional e de busca de algoritmos ligados às fake news, de modo a promover uma diminuição da circulação desse tipo de conteúdo. Diante disso, tal fato representa um importante passo no combate às mentiras divulgadas, demonstrando que é um problema que precisa de cooperação mútua para ser mitigado.
Mostra-se, portanto, essencial a adoção de medidas que visem à superação do paradigma supracitado, através, sobretudo da mudança no contexto ideológico da população. Nesse sentido, é necessário que o Estado, por meio dos Ministérios da educação, da cultura e da tecnologia, promova a ampliação de campanhas publicitárias institucuinais engajadas, com foco no incentivo à busca da veracidade nas notícias recebidas antes de compartilhá-las, de maneira que, aliado ao incentivo fiscal às empresas que busquem atenuar tal questão, o senso crítico da população seja instigado e o compartilhamento dessas notícias seja atenuado, distanciando a realidade atual dos tempos varguistas.