Riscos de compartilhar mentiras e boatos na internet

Enviada em 06/04/2020

Embora a disceminação de mentiras e boatos seja uma temática que ganhou relevância recentemente no Brasil, desde o século XIX são notados traços de “fake news” na história brasileira. Nesse prisma, cabe citar a proclamação da República em 1889, que foi influênciada por boatos espalhados com o obejtivo de prejudicar a imagem do Imperador perante ao Marechal Deodoro da Fonseca, que, mais tarde, tornar-se-ia o primeiro presidente do Brasil. Desse modo, torna-se nevrálgico discutir os riscos de compartilhar mentiras e boatos na internet com foco na perseguição aos difamados e nos atos de violência que podem ser causados.

Em primeiro plano, é perceptível que a disceminação de notícias falsas na internet contribuem para uma radicalização do pensamento, principalmente quando envolvem assuntos de interesse coletivo. Segundo Voltaire, filósofo francês, todas as pessoas devem ter liberdade de expressão, independente de seus posicionamentos ideológicos. Nesse contexto, a facilidade de acesso aos meios de comunicação, proporcionados pelos avanços tecnológicos, permitiram a fácil produção e distribuição de conteúdo com falsas informações que são compartilhadas a milhões de pessoas por influenciadores de opinião, inclusive, agentes públicos. Com isso, surgem discursos inflamados de ódio, com perseguição pessoal e assédio moral, tudo causado por fatos inverídicos e que podem causar inúmeros prejuízos psicológicos e financeiros aos envolvidos.

Outrossim, cabe salientar que a violência pode se relacionar com esse tema devido aos inúmeros casos recente de linchamentos e outros atos violentos que foram causados por boatos. Segundo dados da Organização das Nações Unidas, o Brasil ocupa a 12ª colocação dos países com mais casos de homicídio no mundo. Diante disso, é evidente que o país tem altos indíces de violência nos centros urbanos e que as “fakes news”, especialmente, quando envolvem acusações de crimes contra mulheres e crianças, podem atuar como gatilhos para desencadear ataques motivados pelo senso de justiça e impulsionados pela falta de atuação do poder público, responsável pela segurança pública.

Conclui-se, portanto, que o problema apresentado possui relação com a perseguição aos envolvidos e à violência. Desse modo, é basiliar que o Poder Legislativo atue de forma eficaz na tipificação criminal dessas condutas, com elaboração de projetos de lei específicos ao tema, prevendo punição e reparação dos danos causados. Por outro lado, as redes sociais devem criar mecanismos de verificação de veracidade dos conteúdos e coloborar com as autoridades na identificação dos indivíduos visando coibir esses comportamentos. Com a implementação dessas medidas, espera-se que diminuam os casos e que os responsáveis sejam devidamente punidos à luz da legislação.