Riscos de compartilhar mentiras e boatos na internet
Enviada em 08/04/2020
A divisão orgânica do trabalho, como condiciona Durkheim, são as características de como se constroem as formações laborais pós Revolução Industrial. Essa dinâmica tem como fator principal a especialização máxima dos seus profissionais em diferentes áreas específicas e, dessa forma, os indivíduos se tornam dependentes, assim como um organismo. A partir dessa subordinação, o colaborador constitui seu conhecimento mínimo de mundo e depende, para as outras áreas de aprendizagem, da expressão dos mais variados tipos de qualificados em assuntos que são de cunho social, como a saúde, a educação e a política. Logo, quando a notícia e a informação não constituem verdades absolutas e são propagadas por meio da internet, há anomalias que transmitem conflituosos riscos para a comunidade, como a facilidade de manipulação de massas, a difamação de pessoas privadas ou públicas, o preconceito contra etnias e a falta de credibilidade nos campos científicos.
Além da divisão do conhecimento público entre as diferentes áreas de atuação, soma-se a bipolaridade política que se mantém constante desde a Guerra Fria – que se finda em 1991, após a dissolução da URSS. Diante dessa dinâmica, assuntos comuns, muitas vezes, são tratados como tendenciosos e pontos de vistas passam apenas a defender viés ideológicos. Assim, a dissolução de notícias falsas torna-se uma poderosa arma de manipulação para confirmação daquilo que se acredita, criando-se a pós-verdade (em que se maneja a opinião pública por meio de emoções e sensacionalismos, não fatos).Por consequência, a realidade torna-se distorcida e a cientificidade perde seu local de fala.
Ademais, segundo Hume, a constância em que uma notícia é apresentada pode determinar sua maior veracidade, ou seja, quanto mais ela é vista, mais se acredita nela. Em vista disso, e tendo a consciência de que a internet, junto as rede sociais, propagam seu conteúdo a partir do interesse daquele que as consomem, mentiras e boatos, mais do que adulterar a autenticidade dos fatos, geram a noção de apenas um conhecimento único e possível e, quanto mais essa atitude é difundida, a partir de seus constantes compartilhamentos, mais a sociedade torna-se fechada em seus próprios julgamentos.
Isto posto, vê-se que os perigos do compartilhamento de mentiras em redes sociais prejudicam, não só os indivíduos, mas a sociedade como um todo, já que a verdade se esvanece. Portanto, a população deve, por meio da seleção prioritária de canais com fontes cofiáveis, apenas compartilhar informações que tenham o compromisso com a realidade, para que a ciência se eleve, novamente, ao seu patamar. Por fim, cabe aos órgãos competentes, a punição dos canais fontes de propagação de mentiras.