Riscos de compartilhar mentiras e boatos na internet

Enviada em 06/04/2020

Brás Cubas, o defunto autor de Machado de Assis, diz em suas “Memórias Póstumas” que não teria filhos, a fim de nunca ter que esclarecer as misérias humanas a ninguém. Analogamente, o uso dos algoritmos de busca como ferramentas para difundir boatos e a falta de transparência e de meios para confirma a veracidade de fatos enquadram-se no posicionamento do personagem, uma vez que constituem como desafios para mitigar o riscos de compartilhar mentiras na internet. Assim, é necessário discutir os aspectos sociais e políticos da questão, em prol do bem-estar social.

Em primeiro lugar, se faz necessário se atentar que a formação de bolhas sociais nas redes amplifica a divulgação desse tipo de conteúdo, na medida que facilita uma maior passividade na aceitação de informações que já confirmem um determinado pensamento ou opinião já pré-estabelecido. Nesse aspecto, o largo uso dos algoritmos para mapear e selecionar noticias mais consumidas por um usuário, se apresentam como principais catalisadores de tal problema. Logo, o Brasil vai ao encontro da homogeneidade social proposto por Bauman, demonstrando a imprescindibilidade de política públicas que contenham a problemática.

Além disso, vale ressaltar que de acordo com o filósofo Michael Foucault em a “A Microfísica do Poder”, as diferentes instituições sociais exercem uma relação de dominação para com o indivíduo. Sob essa análise, é notável que a falta de transparência de fontes por parte de alguns meios de comunicação online, faz do leitor um refém de informações de caráter duvidoso. Nesse sentido, esse infortúnio é legitimado pela omissão de veículos confiáveis para investigar a veracidade da noticias que passadas na internet.

Assim, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço do compartilhamento de mentiras e boatos na internet. Primeiramente, cabe o Poder Legislativo, por meio de debates entre congressistas e senadores, que é a melhor maneira de garantir-se o bem-estar, e propor um projeto de lei que limite o uso dos dados dos usuários pelos algoritmos nas redes de relacionamento, a fim de diminuir o alcance do compartilhamento de mentiras. Além disso, cabe ao Poder Executivo, junto a TSE, propor um projeto de emenda constitucional, que é importantíssimo para avanços da legislação que direcionem verbas para criação de instituições competentes para verificação de conteúdos enganosos na web. Dessa forma, o Brasil tornar-se-á mais justo e coeso, aproximando-se de um bem-estar social e de um legado que Brás Cubas se orgulharia de repassar.