Problemas relacionados à alimentação no século XXI

Enviada em 24/06/2021

As primeiras organizações civilizacionais da história foram construídas à margem dos rios Tigres e Eufrates, já que o seu posicionamento geográfico permitia que elas desenvolvessem atividades agrícolas e, consequentemente, alimentassem as novas comunidades. Diante da constatada relevância da produção e consumo de insumos, coloca-se em pauta, hodiernamente no Brasil, os problemas relacionados à alimentação. Nesse sentido, urge o debate acerca da estrutura socioeconômica que possibilita a emersão da problemática na contemporaneidade, além da observação nos seus impactos em território pátrio.

Em primeira análise, cabe a análise relativa à conjuntura de produção alimentícia predominante, tendo em vista os efeitos ambientais e patogênicos provenientes dessa. Sob a ótica marxista, em sociedades capitalistas, a organização coletiva é orientada por valores que maximizam a produção de lucro em detrimento ao bem-estar humano e ambiental, podendo, inclusive, subverter a diretriz ética e moral que a rege. Isso posto, evidencia-se que, estruturalmente, há uma prevalência de estímulo à geração exponencial e, comumente, irresponsável de alimentos que causam danos em toda sua cadeia produtiva, do plantio à mesa — fato que constata-se, por exemplo, com o uso de agrotóxicos que, segundo a OMS, mataram 20 mil pessoas por ano.

Outrossim, a Constituição Cidadã de 1988 estabelece como diretriz nacional a preservação da fauna e flora do país, também coloca o Estado como defensor da saúde e bem-estar coletivos.Contudo, subverte-se a lógica constitucional ao ser observado o descaso com a política de produção alimentícia e de produção ambiental no Brasil, colocando-se como pária, no ano 2021, no cenário global e distanciando-o do debate climático sério na Cúpula do Clima desse ano. Dessa perspectiva, obras cinematográficas como Wally-E registram a potencial distopia , ambiental e social, reservada aos indivíduos a submeterem-se a lógica de produção devastadora: terra arrasada e humanidade inábil fisicamente.

Portanto, é imprescindível o remodelamento estrutural na lógica de produção e venda da indústria alimentícia no Brasil. Assim, cabe ao Ministério da Saúde, em ação intersectorial com o Ministério do Meio Ambiente, promover nas Universidades Públicas do país — voltando-se às áreas das Engenharias de Produção e de Alimentos e Ciências Políticas e Socias — pesquisas quali-quantitativas voltadas ao mapeamento do real cenário pátrio no que tange a produção de alimentos. A partir dessa ação, tornar-se-á possível a ordenação de políticas públicas, que emergirão do debate especializado promovido por pesquisas acadêmicas responsáveis, para a remediação do quadro problemática.