Problemas relacionados à alimentação no século XXI
Enviada em 14/12/2020
Segundo o sociólogo Durkheim, “ o homem mais do que formador da sociedade, é um produto dela”. Nesse sentido, ao observar a problemática que envolve o os problemas relacionados a alimentação no Brasil, verifica-se a necessidade de adotar medidas interventivas capazes de reverter números como os 9 milhões de brasileiros que, segundo a OMS, têm alguma doença psiquiátrica relacionada a má alimentação. Tal fato permite afirmar que a resolução de entraves relacionados à imposição de um padrão estético e a ignorância sobre esse assunto possibilitará a formação de uma sociedade mais harmônica.
Apesar de o filósofo Locke defender que “onde não há lei, não há liberdade”, a sociedade brasileira, somente por meio de sua Constituição Federal, não garante de fato a saúde. A razão para os entraves que permeiam a série de problemas em questão está na propagação de um padrão de beleza na sociedade. Isso se explica no fato de haver uma grande influência, principalmente em mídias digitais, de se alcançar um corpo considerado perfeito – que em sua maioria é um corpo magro – essa meta passa a ser um gatilho para o desenvolvimento de doenças como a anorexia e a bulimia, uma vez que são consideradas uma porta de acesso para esse padrão estético.
Ademais, soma-se a isso a falta de informação da população acerca desse assunto. De acordo com Nelson Mandela, “a educação é a arma mais poderosa que pode usar para mudar o mundo”, ao seguir essa ideia, percebe-se que há uma falha na lacuna educacional onde existem poucas aulas para a instrução dos discentes sobre a orientação médica em dúvidas a respeito dos transtornos alimentares. É importante ressaltar que está na mentalidade coletiva a naturalização da perda de peso, independentemente da forma na qual o indivíduo conseguiu esse feito, o que dificulta a ida em um profissional para, se necessário, a construção de uma dieta segura.
Portanto, é essencial buscar soluções para combater o padrão de beleza e a ignorância, já que como diria Sartre: “o homem tem de se inventar todos os dias”. Inicialmente, cabe às prefeituras, com apoio da mídia, desenvolver projetos que estimulem a valorização da individualidade estética de cada pessoa, por meio de publicações nas redes sociais e “outdoors” afim de diminuir os efeitos da busca pelo “corpo ideal”. De modo complementar, o Ministério da Saúde deve promover e organizar palestras nas escolas, com o auxílio de nutricionistas e psiquiatras, de modo que haja a conscientização sobre a existência de transtornos alimentares e evidencie a importância de uma alimentação completa para que amenize a carência de informação da população. Espera-se que, com ações desse tipo, esse entrave seja sanado.