Problemas relacionados à alimentação no século XXI
Enviada em 05/10/2020
“Eu acredito que podemos mudar o mundo através da alimentação”. A frase é de Bela Gil, chef e nutricionista, fundamentando a escolha de sua dieta em meio a tanto desequilíbrio nutricional. De fato, a sociedade atual, acelerada e sintética, está recheada de problemas relacionados à má alimentação e, principalmente, ao peso excessivo. Nesse sentido, em um contexto em que o tempo engole o homem, a preferência por uma alimentação irregular parece até aceitável, mas não inteligente, uma vez que a obesidade no Brasil, nesse cenário, surge como um dos menores efeitos.
Em primeiro lugar, é importante analisar o sucesso de uma refeição nada benéfica. Vítima da aceleração do mundo moderno, a alimentação tem se resumido a produtos industrializados e aos famosos fast-foods, não tão saudáveis e pouquíssimo nutritivos. Em Portugal, dados recentes do estudo Global Burden of Diseases (GBD), mostram que os hábitos alimentares inadequados surgem como o factor de risco que mais contribui para o total de anos de vida saudável perdidos pela população, seguindo-se da hipertensão arterial, da obesidade e do sedentarismo, entre outros.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a obesidade, pandemia mundial do século XXI, mais do que duplicou desde 1980. Em 2014, mais de 1,9 biliões (39%) de adultos tinha excesso de peso, 600 milhões (13%) dos quais eram obesos. Mais preocupante ainda quando se observa que 41 milhões de crianças com idade inferior a cinco anos têm excesso de peso ou são obesas. Em Portugal, em 2014, segundo o Inquérito Nacional de Saúde, mais de metade da população portuguesa adulta (52,8%) tinha excesso de peso e, de acordo com o Childhood Obesity Surveillance Initiative (COSI), 31,6% das crianças entre os 6 e os 8 anos tinham excesso de peso ou obesidade. A obesidade infantil continua a aumentar em todo o mundo, e a Organização Mundial da Saúde (OMS) considera esse “um dos mais sérios desafios de saúde pública do século 21”. “Há ainda mais crianças abaixo do peso do que obesas, mas é provável que isso mude logo”, disse Tiago Barreira, professor assistente do Departamento de Ciências do Exercício da Universidade de Syracuse, em Nova York.
Torna-se evidente, portanto, a existência de uma refeição nada regular e uma necessidade de se tratar tal dificuldade, de modo que as suas sequelas sejam cada vez menores. Em um contexto de reeducação alimentar, a escola tem um papel fundamental, com palestras de nutricionistas e até aulas de gastronomia, a fim de começar a tratar o problema desde a base, com conscientização. A família e a mídia também podem trabalhar a valorização da comida saudável por meio de conversas, debates e campanhas. Só assim, tratando causas e minimizando efeitos, será possível enxergar a alimentação, de fato, como um ingrediente nas transformações de que a liquidez atual precisa.