Problemas relacionados à alimentação no século XXI
Enviada em 23/03/2020
“Que o teu alimento seja teu remédio e que o teu remédio seja teu alimento”. Essa frese de Hipócrates, médico grego e considerado o Pai da Medicina, revela a importância da alimentação para uma vida saudável. De fato, a ingestão de bons alimentos é responsável pela prevenção e cura de várias doenças. Todavia, com o surgimento das sociedades industriais alienadas, controladas pelo trabalho, tempo e propagandas, alimentar-se bem virou um desafio.
A priori, é importante ressaltar que a partir da 1ª Revolução Industrial: urbanização, trabalho e racionalização do tempo, e o advento dos alimentos ultraprocessados- ricos em sal, açúcar e conservantes-, a nutrição no mundo transformou-se negativamente, atingindo todas as classes sociais e faixas etárias. Com efeito, a rotina cada vez maior de atividades das famílias, sobretudo da mulher, levou a sociedade a adotar o estilo de alimentação industrial, ou seja, rápida, barata e saborosa, porém, prejudicial. Isso, de fato, é preocupante, pois a má alimentação é responsável por cerca de 11 milhões de mortes por ano, segundo pesquisas publicadas na revista The Lancet, principalmente por doenças cardíacas, câncer e diabetes tipo 2, mais que o cigarro, com 7 milhões.
Vale salientar, também, que esse quadro é agravado por propagandas apelativas de produtos alimentícios que prometem praticidade e saúde. Esse tipo de conduta tem levado a substituição gradual dos alimentos in matura ou minimamente processados. Dados do Instituto de Geografia e Estatística mostram que entre 2008 e 2009 o consumo de ultraprocessados aumentou de 20,8% para 25,4% e, por conseguintes, mortes e doenças relacionadas com esse tipo de nutrição. Vale acrescentar que a juventude é a principal vítima desse processo, as publicidades com imagens, brinquedos de heróis e desenhos são usados para vender esses alimentos que, por sua vez, têm causando uma pandemia de obesidade, aumento em 10 vezes nas últimas 4 décadas, afirma a Organização Mundial de Saúde.
Fica claro, portanto, a necessidade de enfrentamento dos desafios gerados pela má alimentação. Para isso, o Ministério da Educação, em parceria com as Secretarias Municipais, deve financiar projetos de educação alimentar nas escolas, acessíveis aos alunos e a comunidade, com a finalidade de orientar, por meio de palestras e encontros, os riscos dos alimentos ultraprocessados e os benefícios dos saudáveis para uma melhor qualidade de vida. Assim, será possível a conscientização e mudança da cultura alimentar industrial.