Problemas e desafios do transporte público urbano
Enviada em 30/10/2019
Na obra infantil “Alice no País das Maravilhas”, o Coelho Branco é um personagem que sempre aparece com um relógio nas mãos alegando estar atrasado. Fora da ficção, esse é o cenário diário de diversos brasileiros, principalmente das metrópoles, que sofrem com o transporte público e necessitam viver em constante correria para chegarem aos locais desejados. Sendo assim, a desorganização desses transportes leva as mulheres a sofrerem com as práticas de assédio, e a população em geral a optarem por carros próprios, prejudicando a mobilidade urbana.
Em primeiro lugar, é visto que nos estados brasileiros, principalmente no Sudeste, devido ao alto fluxo de pessoas, os transportes coletivos estão sempre lotados. Isso obriga os passageiros a apertarem-se uns com os outros para caberem no local, o que possibilita diversos casos de assédio direcionados ao público feminino. Assim, indo contra o direito de ir e vir expresso na Constituição Federal de 1988, várias mulheres passam por momentos constrangedores no transporte público. Esse fato é evidenciado por uma pesquisa dos institutos Patrícia Galvão e Locomotiva, em que 97% das mulheres afirmam já terem sofrido com o assédio em meios de transporte.
Outrossim, não é apenas o público feminino que sofre com a questão dos transportes públicos, mas a população em geral. Isso porque, os atrasos recorrentes e o tempo gasto em congestionamentos, impossibilitam os indivíduos de chegarem pontualmente aos seus locais de trabalho, o que leva a muitos optarem pelo transporte próprio. Dessa forma, com a falta de infraestrutura das estradas e o aumento significativo de automóveis, o trânsito se torna o pesadelo da vida dos brasileiros. Como evidenciado no jornal “O Globo”, no qual mostra que os paulistanos gastam em média 45 dias do ano presos no trânsito.
É imprescindível, portanto, que haja melhorias no transporte público. Para isso, cabe ao Governo Federal em conjunto com o Governo Municipal, dispor de verbas públicas a fim de expandir a malha ferroviária, com o intuito de diminuir a superlotação e a saturação do uso de ônibus, para que, assim, os passageiros possam ir acomodados e sem transtornos. Ademais, o Ministério do Transporte deve, através de fiscalizações, garantir a pontualidade dos transportes, evitando a necessidade de carros particulares. Assim, a correria do Coelho Branco não será mais a realidade dos brasileiros.